Suspeito de feminicídio contra companheira após briga é preso em flagrante

Crime teria ocorrido após discussão sobre o estado da filha do casal, aponta Polícia

Local onde mulher foi morta a facadas pelo companheiro com fita de isolamento
Legenda: Viaturas da Guarda Municipal e da Polícia Militar ajudaram nas buscas ainda no domingo.
Foto: Rafaela Duarte

O ex-companheiro de Valeska Mayara Dantas Macedo, 23 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil nessa segunda-feira (3). Ele é suspeito de matar a mulher na noite do domingo (2), no bairro Panamericano, em Fortaleza, após uma briga de casal, e levar a filha consigo após o crime.

Identificado como Evaldo Dervlin Barbosa Viana, 29 anos, ele estava foragido, mas foi encontrado pelos policiais por volta das 17h dessa segunda. Informações preliminares indicavam que suspeito teria fugido do local, na Rua Amazonas, com a criança, de um ano e cinco meses.

Testemunhas relataram aos agentes que Valeska não morava com o companheiro, mas, sim, em um endereço próximo, no mesmo bairro. Vizinhos ainda afirmaram que Evaldo teria matado um cachorro, mas os policiais não confirmaram a informação.

Conforme a delegada Ruth Benevides, titular da 5ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), apontou que vítima e suspeito tinham relacionamento desde 2019, mas romperam algum tempo depois. No começo deste ano, os dois reataram o relacionamento

Discussão entre o casal

Segundo a delegada, o crime ocorreu por motivo banal. No domingo, durante conversa com Valeska na residência dele, o homem achou a filha — também presente no local — "mal cuidada". A vítima, ao ouvir a reclamação, retrucou o homem, que não havia assumido paternidade da criança: "Agora você quer ser pai?"

Desgostoso, ele foi até a cozinha, pegou a faca e deu um golpe de luta na mulher, que caiu no chão, sendo esfaqueada em seguida. A titular da delegacia indicou que não há informações sobre quantidade de perfurações, pois o laudo cadavérico ainda não foi entregue.

Ainda conforme Ruth Benevides, Evaldo Dervlin não resistiu à prisão e confessou a autoria do crime. Ele não tinha antecedentes criminais e estava desempregado, fazendo apenas bicos como servente de pedreiro e ajudante em uma lanchonete.

A titular da 5ª DHPP ele estava na casa de um amigo, aonde foi levado pelo padrasto, que não sabia do ocorrido. A criança foi deixada com a irmã de Evaldo Dervlin.

Prisão do suspeito

O suspeito foi encontrado na casa de um amigo no mesmo bairro, na qual foi deixado pelo padrasto, que desconhecia a ação criminosa. De acordo com a delegada, o padrasto deixou o suspeito no local porque Evaldo Dervlin "queria ficar um pouco só", tendo indicado o endereço aos policiais durante as diligências.

O amigo que o recebeu também não sabia do feminicídio; ele fora informado apenas de que Dervlin tinha feito "uma besteira muito grande".

A irmã dele também não soubera da ação criminosa: o suspeito apenas pediu a ela, na mesma noite do ocorrido, que ficasse com a filha, pois tinha de "resolver umas coisas". Dervlin não era próximo da família, segundo a delegada, apenas da avó, falecida um dia antes do crime por doença não informada.

Após a prisão de Evaldo Dervlin, a criança foi entregue à avó materna. Ruth Benevides pontuou que a pequena não é registrada sob o nome do suspeito. "Ele afirmou que não sabe nem se é pai da criança", destacou,  acrescentando que, depois de voltarem a se encontrar, houve aproximação entre os dois — a menina tentava chamá-lo de "papa". A família ainda deverá decidir como procederá com a tutela.

Necessidade de denúncias

A delegada reforçou a necessidade de a Polícia ser procurada por mulheres que passem por alguma violência. "Todas as mulheres que se sintam vítimas têm de procurar a Polícia, pedir medidas protetivas e não se envergonhar, pois isso é uma coisa comum. Então elas não podem sentir vergonha; elas têm de procurar ajuda", ressaltou a delegada, indicando que é necessário o registro de um Boletim de Ocorrência (BO).

Ruth Benevides também pontuou que vizinhos que porventura ouçam algum pedido de socorro vindo de alguma mulher acionem as autoridades de segurança.

As investigações sobre o caso continuarão, e o inquérito será entregue ao Poder Judiciário ainda nesta semana.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre segurança