Quadrilha é condenada a 44 anos de prisão por fraude à Caixa

Sete pessoas foram sentenciadas à prisão pela Justiça Federal, inclusive a empresária líder do esquema e um gerente do banco. Onze acusados foram absolvidos. Operação Caixa Preta descobriu fraude de cerca de R$ 50 milhões

Escrito por Redação, seguranca@svm.com.br

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32ª Vara Criminal da Justiça Federal proferiu sentença para punir os envolvidos em um esquema criminoso que causou um rombo milionário aos cofres da Caixa Econômica Federal
Legenda: 32ª Vara Criminal da Justiça Federal proferiu sentença para punir os envolvidos em um esquema criminoso que causou um rombo milionário aos cofres da Caixa Econômica Federal

Quatro anos depois de deflagrada a Operação Caixa Preta pela Polícia Federal (PF), sete acusados de ligação com uma fraude de cerca de R$ 50 milhões aos cofres da Caixa Econômica Federal (CEF) foram condenados a uma pena total de 44 anos de prisão, pela Justiça Federal no Ceará. Outros 11 acusados foram absolvidos.

A sentença foi proferida pelo juiz da 32ª Vara Criminal, Francisco Luís Rios Alves, na última quinta-feira (18). A empresária Ana Carolina de Araújo Medeiros teve a maior condenação, 19 anos e 1 mês de reclusão, pelos crimes de estelionato, obtenção de financiamento mediante fraude e organização criminosa.

Segundo a sentença, Ana Carolina "foi a principal articuladora do esquema criminoso apurado nesta ação penal, tendo as empresas que comandava - tanto formalmente quanto informalmente - sido beneficiadas com um multimilionário volume de recursos obtidos mediante operações de crédito fraudulentas concedidas pela CEF".

As investigações apontaram que a empresária movimentou mais de R$ 16 milhões em contas bancárias, entre janeiro de 2011 e abril de 2015, o que não era compatível com a declaração à Receita Federal. Ela obteve empréstimos fraudulentos para, ao menos, 20 empresas, sendo a maioria do setor da construção civil.

O contato da empresária na Caixa Econômica era o gerente da Agência Náutico, David Athilla Andrade Bandeira Barreto. A Justiça Federal o condenou a 11 anos 11 meses de prisão por gestão frauduletna e organização criminosa.

Conforme as investigações, Ana Carolina e David Athilla tinham uma relação de intimidade - tendo trocado cerca de 3 mil ligações telefônicas em um período de um ano. O gerente da CEF também foi investigado na Operação Fidúcia, deflagrada pela PF em 2015, para combater outro esquema criminoso de fraude milionária à Instituição.

Teia

A organização criminosa liderada por Ana Carolina, com apoio do gerente David Athilla, contava com outros empresários, "laranjas" e funcionários da CEF. Inclusos nesta teia, foram condenados a dona de casa Dayna de Araújo Medeiros, a 2 anos de prisão, por falsidade ideológica (ao emprestar o nome para a companheira Ana Carolina para a obtenção de empréstimos fraudulentos); e o funcionário da Caixa, Ricardo Gonçalves Castro, a 3 anos, por gestão fraudulenta (ao liberar recursos a mando de David).

Três empresários também foram condenados: Gehard Shintani Hauache e Susana Glória dos Santos Moreira, por estelionato e obtenção de financiamento mediante fraude; e Gleucia Maria Nunes, por estelionato. Os dois primeiros tinham ligação direta com Ana Carolina por meio de movimentações financeiras.

O advogado Haroldo Gutemberg Benevides, que representa a ré Susana Glória, revelou que irá recorrer da condenação, "porque não reflete a realidade do que aconteceu, inclusive o Ministério Público Federal (MPF) havia se posicionado pela absolvição da Susana". As defesas dos outros acusados condenados não foram localizadas ou preferiram não comentar a decisão.

Absolvidos

Onze acusados foram absolvidos pela 32ª Câmara Criminal. A defesa do ex-superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Antônio Carlos Franci, realizada pelo advogado Waldir Xavier, afirma que "a Justiça Federal exarou uma decisão técnica, com análise circunstanciada e criteriosa de todos os elementos colhidos durante a instrução e uma sentença, cuja fundamentação referente ao meu cliente, é irretocável".

Já o advogado Nestor Santiago, que promove a defesa do funcionário da CEF Francisco Evandro, disse que confiava na absolvição do cliente, pois não há provas de que ele praticou qualquer crime, e que os depoimentos em juízo foram muito seguros e coerentes, motivo pelo qual o próprio MPF pediu a absolvição do mesmo. As defesas dos outros absolvidos não foram localizadas pela reportagem.