PM e outros dois acusados de matar suspeito de roubar celular há quase 13 anos em Fortaleza são absolvidos

Apesar de pedir a condenação dos réus durante o processo criminal, o Ministério Público do Ceará requereu a absolvição do trio durante o júri, por falta de provas

Escrito por
Messias Borges messias.borges@svm.com.br
(Atualizado às 09:37)
O crime ocorreu próximo ao Fórum Clóvis Beviláqua, onde o caso foi julgado depois de quase 13 anos
Legenda: O crime ocorreu próximo ao Fórum Clóvis Beviláqua, onde o caso foi julgado depois de quase 13 anos
Foto: Kid Júnior

Um policial militar e outros dois acusados de matarem um suspeito de roubar o aparelho celular da esposa do PM e de tentarem matar outro homem, em Fortaleza, há quase 13 anos, foram absolvidos pelo júri popular, em um julgamento ocorrido no Fórum Clóvis Beviláqua, no último dia 20 de fevereiro.

O Conselho de Sentença formado na 1ª Vara do Júri decidiu, por maioria, absolver o sargento da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Edson da Silva Araújo e os outros réus, Carlos Herbert Silva Gadelha e Halyson Valentim Batista, pelos crimes de homicídio qualificado (por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima) e de tentativa de homicídio qualificado (pelas mesmas qualificadoras).

Apesar de pedir a condenação dos réus durante o processo criminal, o Ministério Público do Ceará (MPCE) requereu, no júri, "como fiscal da lei, a absolvição dos réus Halyson Valentim Batista, Carlos Herbert Silva Gadelha e Edson da Silva Araújo pelos crimes a eles imputados na denúncia, por insuficiência de provas", segundo a Ata da Sessão, que a reportagem teve acesso.

As defesas dos acusados também argumentaram, para os jurados, que os clientes não cometeram os crimes e deveriam ser absolvidos, em razão da insuficiência de provas.

O advogado Oswaldo Cardoso afirmou que a defesa do PM Edson Araújo "recebe a absolvição com muita alegria, pois o Conselho do Júri desfez uma grande injustiça, que estava prejudicando, por anos, uma pessoa com conduta ilibada e sem nenhum tipo de participação em situações ilícitas. Assim, os jurados, juntamente com o Poder Judiciário, restabeleceram a dignidade desse cidadão, que sempre soube da sua inocência. Fizemos justiça".

Já as defesas de Carlos Herbert e Halyson Valentim não foram localizadas pela reportagem para comentar a decisão do júri popular. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

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Crime próximo ao Fórum

Os Memoriais Finais do Ministério Público do Ceará no processo criminal, obtidos pelo Diário do Nordeste, apontavam que o sargento PM Édson da Silva Araújo era o autor intelectual e os outros dois réus, Carlos Herbert Silva Gadelha e Halyson Valentim Batista, eram os executores do assassinato de Arlenson Barbosa da Silva e de uma tentativa de homicídio, no bairro Édson Queiroz, em Fortaleza, na noite de 31 de março de 2012.

Segundo o documento, Arlenson foi morto por tiros de arma de fogo e os acusados "iniciaram atos executórios do crime de homicídio contra" outro homem, "não consumando esse último delito por circunstâncias alheias às suas vontades". A reportagem preserva a identidade da vítima sobrevivente.

O crime ocorreu próximo do Fórum Clóvis Beviláqua, onde o caso foi julgado depois de quase 13 anos. Conforme os Memoriais, Arlenson e o colega que sofreu a tentativa de homicídio "encontravam-se na pracinha do Fórum Clóvis Beviláqua em companhia de amigos, quando dois homens, munidos de armas de fogo, ali chegaram, azo em que passaram a efetuar inúmeros disparos contra as vítimas. Nesse contexto, Arlenson foi atingido na nuca, vindo a óbito".

As investigações da Polícia Civil concluíram que o PM Édson Araújo "foi o mandante do delito, pois ele e as vítimas detinham uma animosidade pretérita (a vítima fatal, conforme depreende-se dos fólios, perpetrou um crime de roubo, meses antes, em desfavor da esposa de Édson)", afirmou o MPCE.

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