MPCE recorre de sentença que absolveu e soltou 12 acusados de tráfico de drogas em Chorozinho

A Justiça Estadual soltou o grupo por falta de provas. Apenas um réu foi condenado por porte ilegal de arma de fogo, com direito de recorrer em liberdade

A Promotoria de Justiça da Comarca de Chorozinho ingressou com Recurso de Apelação no TJCE
Legenda: A Promotoria de Justiça da Comarca de Chorozinho ingressou com Recurso de Apelação no TJCE
Foto: Divulgação

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) ingressou com um recurso no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), nesta terça-feira (6), contra a sentença que absolveu e soltou 12 acusados de tráfico de drogas, no Município de Chorozinho, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

A Vara Única da Comarca de Chorozinho, da Justiça Estadual, absolveu o grupo dos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, por falta de provas, em decisão proferida no dia 17 de março último. "Volvendo as provas e analisando em conjunto com o narrado no processo, tenho a dizer que entendo que inexiste demonstração do crime de associação para o tráfico", afirma o juiz.

Apenas um réu, Paulo Henrique da Silva Lourenço, conhecido como 'Titela', foi condenado pela prática do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, sob pena de 2 anos e 8 meses de reclusão. Entretanto, o juiz concedeu ao apenado o direito de recorrer em liberdade.

A Promotoria de Justiça da Comarca de Chorozinho ingressou com Recurso de Apelação no TJCE. Em nota, o MPCE afirma que "tal absolvição e soltura gerou comoção social. Irresignado com tal resultado, em primeiro grau, o Ministério Público recorreu. Segundo a Promotoria de Justiça, o testemunho dos policiais deve ser valorado na apreciação da prova e não apenas a palavra dos acusados". 

Funções na quadrilha

Foram absolvidos dos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico e colocados em liberdade, além de 'Titela', Vinícius Freitas de Menezes, Francisco André Alves da Silva (o 'André Diretor'), Rafael Tomé de Alencar, Francisco Lucas da Silva Sousa, Francisco Wesely da Silva Gomes de Sousa, Wellington Pereira Lima (o 'Peter Pan'), Valdir Júnior Rodrigues de Freitas (o 'Júnior do Voyage Preto'), Rafaela Tomé de Alencar, Valdeilson dos Santos Silva, Francisco Anderson Brígido Chaves (o 'Meninão') e Antonio Julião da Silva.

O MPCE detalha a função de cada acusado, conforme informações repassadas pela Polícia Civil de Chorozinho, que investigou o grupo criminoso por cerca de 2 anos.

As defesas dos acusados negam a participação dos mesmos no tráfico de drogas e alegam inclusive que eles não se conhecem.

Segundo o MPCE, 'Titela', que foi preso em flagrante com pedras de crack, era um vendedor de drogas e também tinha a função de expulsar membros de uma facção criminosa da região. Ele também é suspeito de praticar roubos e homicídios.

Vinícius Freitas de Menezes liderava o tráfico na localidade do Triângulo há muito tempo, onde existe a “tropa do Cepão”. Porém, outro traficante, “Nilsinho”, também liderava o tráfico e fornecia toda a droga destinada ao município de Chorozinho, por meio do “Júnior do Voyage”. Este fornecia drogas para outras cidades.

Francisco André Alves da Silva começou como rival do grupo, tanto que chegou a ser alvo de uma tentativa de homicídio. Quando o “Nir” foi preso, André passou a ser o homem da confiança do chefe “Nilsinho”, guardando e vendendo drogas. Rafael Tomé de Alencar era quem recebia a droga quando ela chegava no município de Chorozinho, vinda do município de Fortaleza, que ele distribuía a droga e posteriormente fazia as cobranças do dinheiro arrecadado. 

Rafaela Tomé de Alencar vendia drogas, inclusive, foi presa em flagrante com drogas, por ocasião da operação realizada para efetuar cumprimento dos mandados deferidos no curso das investigações, foi presa na posse de meio quilo de maconha e com uma máquina de cartão de crédito. Francisco Lucas da Silva Sousa também vendia drogas e prestava constas junto ao André diretor. 

Francisco Wesely da Silva Gomes de Sousa, inicialmente, vendia drogas, e tinha um contato muito próximo com “Nilsinho” já que chegou a ser cunhado dele e também por ser uma pessoa organizada, conforme constatado, razão pela passou a ser o responsável por gerir as finanças da associação, que, inclusive, com ele foram encontrados diversos extratos bancários, extratos de depósitos e um saque no valor de nove mil reais. 

Wellington Pereira Lima também vendia drogas para esse mesmo grupo. Valdir Júnior Rodrigues de Freitas era a pessoa que fazia o transporte da droga, do município de Fortaleza, da favela Santa Rita para o Município de Chorozinho. Valdeilson dos Santos Silva vendia drogas, tinha uma boca de fumo. 

Logo após a prisão de “Wesely”, Valdeilson passou a organizar as finanças do grupo. Francisco Anderson Brígido Chaves, conhecido por “Meninão”, também vendia drogas. Antônio Julião da Silva é irmão de Francisco André, e acusado de também vender drogas. Antônio Wellington Pereira da Silva já era envolvido com o mundo do crime. Na casa dele, também funcionava um bar e era frequente a venda de drogas.

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