'Meu filho foi morto sem saber o que acontecia ao redor dele': morte de MC completa 1 ano e crime segue sem suspeitos

Vítima trabalhava como motociclista de APP quando foi assassinada a tiros

Escrito por
Emanoela Campelo de Melo emanoela.campelo@svm.com.br
mae vinner
Legenda: Tânia diz que no último ano a família "não encontrou respostas e nem amparo".
Foto: Reprodução

A morte de Guilherme Vinner, 21, conhecido como 'Mc Vinner' completa um ano nesta terça-feira (18) e segue na lista dos crimes que não há suspeitos identificados pela Polícia. Sem antecedentes criminais, Guilherme foi assassinado a tiros no bairro Prefeito José Walter, em Fortaleza, enquanto trabalhava como motociclista de aplicativo.

"Meu filho foi baleado e morto, sem sequer saber o que acontecia ao redor dele", diz Tânia Roberta da Silva, mãe da vítima, ao falar dos 365 dias de luto que ela, outros parentes e amigos vivem. Em memória do jovem e na busca por respostas das autoridades e Justiça, a família de 'MC Vinner' promove nesta terça-feira, às 18h, uma manifestação ao lado da Arena Castelão.

"Um ano de sofrimento, um ano de saudade. Meu filho estava trabalhando. Até agora a Polícia não tem indício de ninguém, de nada. Não tem informação precisa sobre esse caso. O aparelho celular dele nunca me foi devolvido. Queremos Justiça, queremos respostas", diz Tânia.

Veja também

A reportagem questionou a Polícia Civil do Ceará (PCCE) sobre a investigação do caso, se havia identificados, presos ou se o inquérito foi concluído. Por nota, a PC informou que "segue apurando as circunstâncias de um homicídio, ocorrido em fevereiro de 2024, no bairro Prefeito José Walter, na Área Integrada de Segurança 9 (AIS 9) de Fortaleza".

"O caso está a cargo da 9ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), unidade especializada da PCCE, responsável pelas diligências para elucidar a investigação"
PCCE

vinner
Legenda: Pais afirmam que jovem "estava no local errado, na hora errada"
Foto: Renan Ferreira/Divulgação

DESAMPARADOS

Tânia diz que no último ano a família "não encontrou respostas e nem amparo". Segundo a mãe de Vinner, o filho foi "vítima da violência urbana e casos como o dele continuam acontecendo".

"Só escutamos falar sobre tiroteios. Não temos segurança de ir e vir. Está sendo muito difícil pra mim, pro pai dele, pro irmão dele. Nunca tivemos um anúncio de um suspeito identificado, preso. Não encontramos amparo, não encontramos respostas. Nada de Justiça para a nossa família", disse a mãe, recordando que o filho teria completado mais um ano de vida no último dia 10 de fevereiro.

CARREIRA

MC Vinner Trabalhava há cerca de um ano como moto Uber quando foi assassinado, mas a maior parte do tempo era dedicada à música, complementando ainda com trabalhos de marketing, que era a sua profissão por formação, de acordo com a família.

Além de cantor, ele também atuava como compositor, contribuindo para diversos sucessos, como a canção "Adeus, Tchau, Já Era", interpretada por Samyra Show. Na época da morte, a cantora lamentou nas redes sociais a partida do jovem. "Uma perda irreparável. Deus conforte a família desse talento que nos deixou!".

Vinner tinha quase 6 mil seguidores nas redes sociais, que utilizava para compartilhar as canções, assim como abrir a agenda para novos trabalhos. 

No perfil do Instagram, o funkeiro se intitulava como "Original nº 1”. “Nasci ouvindo funk, a primeira batida que nós aprende pivete é o ‘tchu tcha’ do funk. Então jamais vou abandonar essa raiz. Viva o funk!” (sic), escreveu em uma das publicações.

Já nos stories do Instagram, o jovem chegou a deixar um recado para si mesmo, em meio aos shows realizados: "Calma, sonhador. As coisas estão acontecendo. Só te peço para ter paciência que cada coisa tem seu tempo certo". 

>> Acesse nosso canal no Whatsapp e fique por dentro das principais notícias.

 

Este conteúdo é útil para você?
Assuntos Relacionados