Marcado júri de ex-PMs acusados de matar advogado em Fortaleza

Um terceiro acusado pelo crime foi inocentado.

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Redação seguranca@svm.com.br
(Atualizado às 09:32)
adv di angelis
Legenda: Di Angelis foi assassinado a tiros, na Parquelândia
Foto: Arquivo Pessoal

Dois acusados pela morte do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais devem se sentar em breve no banco dos réus. A Justiça do Ceará marcou a data do julgamento de dois ex-policiais militares denunciados pelo assassinato.

O julgamento de José Luciano Souza de Queiroz e Glauco Sérgio Soares Bonfim está programado para acontecer no próximo dia 30 de julho, em Fortaleza. A dupla responde pelos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa.

Conforme publicado no Diário da Justiça Eletrônico, a sessão deve começar às 8h30. Testemunhas e os réus devem comparecer ao plenário para prestar depoimentos e ser interrogados. As defesas dos ex-PMs não foram localizadas pela reportagem.

A vítima foi morta no bairro Parquelândia, em Fortaleza, já na porta da própria casa.

Em maio do ano passado, o juiz da 1ª Vara do Júri pronunciou José Luciano e Glauco Sérgio, mas inocentou o empresário Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso, este último apontado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) como mandante do homicídio. 

Na época, o magistrado pontuou que Ernesto foi impronunciado "por ausência de convencimento quanto aos indícios suficientes de autoria ou de participação desse réu nos crimes narrados na denúncia" e as prisões dos dois ex-PMs mantidas para garantia da ordem pública".

AMEAÇAS E EXECUÇÃO NA PORTA DE CASA

Por trás da morte do advogado de 41 anos há uma sequência de ameaças e exigência de pagamento de valor milionário em troca de retirar notícias de um site que falavam da ascensão econômica de um empresário dos ramos de cooperativa de saúde e postos de combustíveis.

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O empresário Ernesto Wladimir Oliveira Barroso e os dois ex-policiais militares Glauco Sérgio Soares Bonfim e José Luciano Souza de Queiroz foram presos pela Polícia Civil do Ceará no dia 15 de junho de 2023, por suspeita de participarem do assassinato do advogado. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos nas residências dos alvos.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará contra o trio, o empresário Ernesto Wladimir teria encomendado a morte do advogado para se vingar de uma extorsão. Os dois ex-PMs teriam sido contratados para cometer o crime.

Dias antes do crime, o empresário teria pago R$ 800 mil para a vítima para ela excluir reportagens de um portal de notícias que colocavam em questão a 'ascensão financeira' de Ernesto.

O advogado Francisco Di Angelis Duarte de Morais, de 41 anos, estaria sendo monitorado pelos criminosos - inclusive com uso de um rastreador no seu veículo.

A reportagem apurou que policiais civis da 6ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) descobriram que dois homens estiveram, em um carro, no local de trabalho de Francisco Di Angelis, uma torre empresarial no bairro Edson Queiroz, em busca de saber qual era o veículo do advogado, na manhã de 24 de abril de 2023.

EMBOSCADA

Os dois homens informaram a funcionários do empreendimento que tinham interesse em comprar o carro. Um deles foi reconhecido por testemunhas como o ex-policial militar José Luciano Souza de Queiroz.

O advogado foi assassinado no dia 6 de maio de 2023, na porta de casa, no bairro Parquelândia, em Fortaleza. Ele foi surpreendido pela aproximação de uma motocicleta com dois homens - apontados pela acusação como os ex-policiais militares.

Para o MPCE, "a dinâmica do crime demonstra um meticuloso estudo da vítima, eis que o atirador se deu ao trabalho de efetuar os disparos somente após a vítima desembarcar do veículo, não efetuando disparos diretamente na lataria do carro, assim, evitando que a ação homicida fosse frustrada, caso o veículo fosse blindado".

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