Justiça nega soltura a líder de facção criminosa cearense conhecido como 'Rei da Colômbia'

Quatro integrantes do grupo criminoso comandado por ele foram presos no mês passado, no Ceará e em Pernambuco

'Rei da Colômbia' foi preso em setembro de 2019, no Município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana de Recife, em Pernambuco
Legenda: 'Rei da Colômbia' foi preso em setembro de 2019, no Município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana de Recife, em Pernambuco
Foto: Divulgação/ SSPDS

A Justiça Estadual negou um pedido de revogação da prisão preventiva de Sueliton Borges de Sousa, conhecido como 'Rei da Colômbia' e apontado como um chefe de uma facção criminosa cearense. Quatro integrantes do grupo criminoso comandado por ele foram presos no mês passado, no Ceará e em Pernambuco.

Em decisão proferida no dia 13 de agosto deste ano e publicada no Diário da Justiça Eletrônica (DJE) da última quinta-feira (9), a Vara de Delitos de Organizações Criminosas considerou considera que o 'Rei da Colômbia' integra o "Conselho Final" da facção cearense e é responsável pela "comercialização de grande quantidade de drogas".

Ressalte-se que as medidas cautelares diversas da prisão se mostram inadequadas e insuficientes ao caso concreto, diante da gravidade em concreto do delito, sendo necessária a prisão como meio de resguardar a ordem pública."
Vara de Delitos de Organizações Criminosas
Em decisão

O Ministério Público do Ceará (MPCE) se posicionou contra a soltura: "não é demais mencionar que, nesta fase processual, a periculosidade que decorre do atuar do requerente é preponderante, visto que é suposto integrante de organização criminosa. Salienta-se que a decisão interlocutória que decretou a prisão preventiva se baseou em elementos concretos e buscou cessar as empreitadas criminosas do grupo".

A defesa de Sueliton Borges requereu a revogação da prisão preventiva com aplicação de medidas cautelares, no dia 5 de agosto deste ano. Segundo o requerimento, o 'Rei da Colômbia' está detido no Sistema Penitenciário Federal (SPF).

Isso porque a segregação cautelar é medida excepcional, somente cabível quando se mostrarem insuficientes as demais medidas cautelares alternativas ao cárcere. E, no caso dos autos, a imposição dessas medidas cautelares mais brandas, que não importem na privação da liberdade do autuado, é perfeitamente oportuno, diante do risco a que fica sujeito o requerente em um ambiente superpopuloso, e que sofreu retaliações quando de sua passagem brevemente, antes de ter sido encaminhado ao SPF, tendo relatado, inclusive, em inúmeras cartas e informações, o que sofreu no sistema penitenciário do estado do Ceará."
Defesa do acusado
Em pedido de liberdade

Ainda segundo a defesa, "o requerente se compromete a comparecer em todos os atos processuais do processo para os esclarecimentos que se fizerem necessários à instrução processual" e o cliente "não apresenta e não ocasionará nenhum risco para a ordem pública".

Por que 'Rei da Colômbia'?

O apelido de 'Rei da Colômbia' de Sueliton Borges de Sousa faz referência a uma tatuagem que ele tem no corpo, que homenageia o narcotraficante colombiano Pablo Escobar - conhecido mundialmente.

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) aponta ainda que, enquanto estava escondido em Pernambuco, Sueliton se apresentava como 'Pablo', também em alusão ao narcotraficante colombiano.

'Rei da Colômbia' foi preso em setembro de 2019, no Município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana de Recife, em Pernambuco. Contra ele, havia dois mandados de prisão em aberto, um por sentença condenatória e outro de prisão preventiva por integrar organização criminosa. Ele também responde pelos crimes de lesão corporal dolosa e por tráfico de drogas. 

Na casa onde ele estava morando, em Olinda, também em Pernambuco, a Polícia Civil encontrou um veículo blindado e um anel templário utilizado pelos conselheiros da facção criminosa cearense.

Comparsas foram presos em operação

Quatro membros do grupo criminoso comandado pelo 'Rei da Colômbia' foram presos no último dia 17 de agosto, no Ceará e em Pernambuco, em uma operação da Polícia Civil do Ceará. Os suspeitos teriam dado continuidade às ações da facção de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, mesmo com a prisão do seu chefe.

Outras seis pessoas que já se encontravam recolhidas no sistema penitenciário também foram alvos de mandados de prisão preventiva. As ordens judiciais foram cumpridas em Fortaleza, Maracanaú e Morada Nova, no Ceará; e na cidade de Olinda, em Pernambuco.

Draco de Fortaleza, Ceará, Polícia Civil
Legenda: A operação com o objetivo de desarticular o bando aconteceu em Fortaleza, Maracanaú e Morada Nova, no Ceará; e na cidade de Olinda, em Pernambuco
Foto: Divulgação/SSPDS

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