Jovens sequestradas em Iguatu passaram noite em mata fechada com criminoso

Gabriela Conceição Pinheiro Cajazeiras, de 19 anos, é uma das vítimas e conta que quase se afogou ao ter de atravessar um rio

Legenda: Uma das garotas que sumiram em Iguatu reapareceu com ferimentos nos pés
Foto: VC Repórter

As três jovens sequestradas em Iguatu passaram a noite na mata fechada com o sequestrador e foram obrigadas a andar por horas sem beber água ou comer. Gabriela Conceição Pinheiro Cajazeiras, de 19 anos, é uma das vítimas e conta que quase se afogou ao ter de atravessar um rio. Ela, a irmã de 14 anos e uma prima de 16 anos foram sequestradas enquanto caminhavam próximo de casa, nesta terça-feira (7). As três foram encontradas na manhã seguinte. Três suspeitos foram capturados pela polícia, mas dois foram liberados. 

O mandante do crime teria sido o ex-namorado de Gabriela, um rapaz conhecido como “Pirulito”. Segundo a polícia, a intenção dos criminosos era matar Gabriela e pedir resgate pelas outras duas jovens. Mas o sequestrador desistiu do crime, liberando as meninas. 

De acordo com o delegado da Delegacia Regional de Iguatu, Marcos Sandro, que investiga o caso, o suspeito contou em depoimento ter desistido do crime porque uma das vítimas se parecia com uma irmã dele. 

Horas caminhando na mata 

Segundo Gabriela, elas passaram a noite e o dia sem beber água ou comer, e andaram por horas dentro da mata.   

“Eu não aguentava mais andar. A gente rezava uma Ave-Maria, um Pai Nosso, eu orava 24 horas, pedindo e chorando porque eu não tava mais com força de andar na mata”, relatou a estudante. 

O grupo parou quando anoiteceu e passou a noite ainda na mata fechada. 

“Entramos numas [áreas de] bananeiras lá e andamos, andamos, passamos por um rio, atravessamos esse rio, eu não sei nadar, quase morri afogada, mas foi Deus que guiou nós. Aí saímos, pegamos uma estrada. Ele disse que a gente entraria na mata pra descansar e no amanhecer do dia a gente iria embora. Aí já tava amanhecendo o dia, era quatro e pouco da manhã, nós nos levantamos e fomos”, relembrou Gabriela. 

Ao serem liberadas, as meninas conseguiram encontrar uma casa onde pediram ajuda. No local, os moradores chamaram a polícia, que resgatou as jovens e as levaram para fazer exames em uma UPA, receberem medicamento e conversarem com uma psicóloga.   

 “Passamos pela psicóloga, mas graças a Deus eu não sinto nada, só com as pernas assim, mas dá pra andar. E elas [irmã e prima] também não estão sentindo nada, só psicológico. Se Deus quiser, nós vamos esquecer isso”, ponderou a vítima. 

Mandante 

O ex-namorado de Gabriela chegou a se apresentar na delegacia e também depôs. O jovem negou qualquer envolvimento no caso.

De acordo com ela, o criminoso chegou a confirmar o apelido do ex-namorado dela como mandante do crime. 

“Ele tava perdido e dizia: ‘mas esses cabra vão pagar porque o que eles fizeram, eles mandaram, eu não tô aguentando’. Ele tava na cabeça que não sabia o nome do cabra, mas que se pegasse ia fazer alguma coisa. Eu falei: 'você sabe o nome dele? É Pirulito?' E ele: 'é esse mesmo'”, revelou Gabriela. O casal rompeu em maio deste ano. 

 


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