Ex-PM vai a júri por homicídio

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: O ex-policial militar, Jean Charles da Silva Libório é apontado, em diversos processos, como braço direito do empresário iraniano Farhad Marvizi

Acusado de participar de um grupo de extermínio, o ex-sargento da Polícia Militar do Ceará, Jean Charles da Silva Libório, será julgado, na próxima sexta-feira (26), pela morte do empresário Francisco Francélio Holanda Filho, em julho de 2010. Libório é apontado, em diversos processos, como braço direito do empresário iraniano Farhad Marvizi. Ele também seria o responsável por reunir pistoleiros, para executar concorrentes comerciais do estrangeiro ou colaboradores de investigações da Receita Federal e da Polícia Federal (PF) contra o iraniano.

Farhad Marvizi, Libório e mais seis pessoas são acusados de participar da morte de Francisco Francélio, que tanto era concorrente de Marvizi na venda de produtos eletrônicos, como repassou informações aos investigadores. Francélio foi morto, em julho de 2010, após sair de sua loja, situada na Avenida Domingos Olímpio, e ser perseguido por dois homens.

A dupla desferiu vários tiros contra o empresário, que perdeu o controle do veículo e se chocou contra um poste. Francélio chegou a ser levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu. Quase sete anos após a execução, o primeiro réu, Jean Charles Libório, será julgado pela 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, porque desistiu do recurso impetrado junto ao Tribunal de Justiça contra a sentença de pronúncia.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o ex-sargento foi um dos comparsas do iraniano Farhad Marvizi na prática de outros crimes. "Libório atua frequentemente com a cumplicidade de sua esposa, Francisca Elieuda Lima Uchôa e fazia uso de suas funções de Policial Militar para favorecer as práticas criminosas", descreve o órgão.

A defesa do ex-militar entende que não existem provas de autoria do crime pelo réu. "Em nenhum momento foi apresentada nenhuma prova da efetiva participação do requerente no homicídio de Francélio, baseando-se o Ministério Público desde a apresentação da denúncia, em um pretenso relatório de Inteligência produzido por policiais federais lotados no Núcleo de Inteligência Policial da Polícia Federal local". O advogado de Libório, Delano Cruz, foi procurado, mas não atendeu aos telefonemas da reportagem.

Outros crimes

O grupo criminoso que agia sob ordens do iraniano Farhad Marvizi, que tinha Jean Charles Libório como principal membro, também é acusado de matar o casal Carlos José Medeiros Magalhães e Maria Elizabeth Almeida Bezerra, em agosto de 2010, por estarem colaborando com as investigações contra o estrangeiro; de executar o empresário italiano Procópio, por desavenças nos negócios, em outubro de 2009; e de tentar matar o fiscal da Receita Federal José Jesus Ferreira, que investigava o iraniano, no ano de 2009.