Conflitos internos podem ter levado os líderes à morte

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 16:28)
Legenda: Execução de Edilson Borges Nogueira, o 'Biroska', teria desencadeado as mortes de 'Gegê' e 'Paca'

As principais hipóteses para a emboscada dos membros da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), para o Ministério Público de São Paulo (MPSP), são que tenha sido em retaliação à execução de Edilson Borges Nogueira, o 'Biroska', no dia 5 de dezembro de 2017; ou, possa ter ocorrido para frear o crescimento pessoal de Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue'.

'Biroska' foi membro da cúpula da facção. Ele foi morto a golpes de estilete, dentro da Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2, de Presidente Venceslau, em São Paulo.

'Biroska' era líder do tráfico em Diadema, no ABC Paulista. Depois, expandiu seus negócios para a Zona Sul, mas acabou preso. Na cadeia, se aliou ao PCC e passou a financiar a facção, chegando a ser um dos principais membros na movimentação de dinheiro em favor do PCC.

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Após dez anos na cúpula da facção, a mulher de 'Biroska' teria se desentendido com as mulheres de outros detentos e ele acabou sendo destituído do 'conselho' da facção. O futuro do criminoso deveria ser decidido quando Marcos Willians Herbas Camacho, o 'Marcola', líder máxima da organização, saísse do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), a que estava submetido. Porém, alguém se antecipou.

Os detentos Danilo Antônio Cirino Felix, o 'Montanha', 29; e Gilberto Souza Barbosa Silva, o 'Caveira', 46, atacaram Edilson Nogueira, durante o banho de sol da P2. 'Montanha' segurou o ex-membro da cúpula do PCC pelo pescoço, enquanto 'Caveira' desferiu os golpes.

'Montanha' e 'Caveira' foram ouvidos pela Polícia Civil, mas se negaram a revelar o motivo da execução de 'Biroska'.

Ordens

Já na época do homicídio, os investigadores revelaram que não havia chances de o criminoso ser executado, sem ordem de algum membro da cúpula. Segundo um investigador do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo, 'Gegê do Mangue' era, no momento da morte de 'Biroska', a maior liderança que poderia ser contactada, já que 'Marcola' estava em RDD.

"Além disso, o 'Gegê' tinha interesse em áreas do tráfico dominadas por 'Biroska'. Não se pode dizer que foi ele, mas também não se pode descartar. Há chances de esse ataque contra o 'Gegê' e o 'Paca' ser o PCC se voltando contra o próprio PCC. Eles podem ter feito valer dentro da cúpula, o estatuto que propagam entre os criminosos menores", disse o policial.

Um representante do MPSP, que não quis se identificar, concorda com o investigador da Polícia Civil, sobre, possivelmente, a facção ter eliminado dois de seus principais líderes. "Essa é uma das possibilidades. O 'Gegê' teria dado a ordem para matar o 'Birosca', sem consenso do 'Marcola'. Isso pode ter ocasionado uma cisão na cúpula", pontuou.