Advogado acusado de feminicídio contra empresária é suspeito de nova agressão contra outra mulher

A vítima, também advogada, passou a se relacionar com o Aldemir após a morte da empresária Jamile

Escrito por Emanoela Campelo de Melo, emanoela.campelo@svm.com.br

Segurança
caso jamile aldemir
Legenda: Em maio de 2021, o órgão acusatório denunciou o advogado Aldemir Pessoa Júnior pelos crimes de feminicídio, lesão corporal, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo.
Foto: Helene Santos

O advogado Aldemir Pessoa Júnior é suspeito de um novo caso de violência doméstica. A reportagem do Diário do Nordeste apurou que Aldemir teria agredido a atual namorada, e ainda ameaçado a mãe dela. Ele teria desferido tapas contra a companheira durante discussão do casal.

A vítima, também advogada, resolveu denunciar o ocorrido às autoridades. O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher, em Fortaleza, há um mês. A Polícia Civil do Ceará (PCCE) instaurou inquérito para apurar o caso, que é tratado sob sigilo.

A mulher também chegou a pedir medida protetiva para que Aldemir não se aproxime dela, nem da mãe. A defesa do suspeito não emitiu posicionamento até a publicação desta matéria. 

Aldemir já é acusado em um processo por feminicídio. Conforme denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o homem é responsável pela morte da empresária Jamile de Oliveira Correia. O crime aconteceu em agosto de 2019. Na época, o casal mantinha relacionamento conturbado.

Segundo testemunhas, no episódio de agressão mais recente, Aldemir teria tentado matar a namorada espancada, mas foi impedido por um policial. A mãe da advogada percebeu ferimentos no rosto da filha, porque ela passou a usar maquiagem 'mais pesada'


MORTE DA EMPRESÁRIA

Quando Jamile deu entrada no Instituto Doutor José Frota (IJF), a suspeita é que ela havia tentado suicídio. O caso foi comunicado à Polícia Civil, que passou a tratar o fato como feminicídio. A tese passou a ser considerada pelos investigadores comandados pela delegada Socorro Portela, e o adjunto da distrital Felipe Porto..

As primeiras imagens da vítima sendo socorrida intrigaram a família de Jamile. Nas cenas gravadas pelas câmeras de segurança do prédio da empresária o adolescente está visivelmente desesperado, enquanto "chegando ao elevador, o acusado pegou o corpo da vítima por um braço e uma perna, tornando-a ao chão, não mostrando qualquer preocupação com situação", de acordo com o MP.

Em setembro de 2019, um dos laudos da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) apontou que o DNA da empresária só foi encontrado na extremidade do cano da pistola calibre 380. De acordo com o laudo, no restante da arma foram encontrados material genético de Aldemir e do policial civil responsável por apreender o objeto parte da investigação.

No fim de setembro aconteceu a reprodução simulada dos fatos. O adolescente filho de Jamile participou da reconstituição, mas Aldemir não. Para o Ministério Público, "levando-se em consideração tudo apresentado na presente peça processual, bem como o comportamento do réu durante toda a investigação, a dúvida que resta é se, quando do novo ataque proferido por Aldemir, dentro do closet, ele agiu com dolo direto ou eventual em gerar a morte da vítima, não restando dúvida, pois, da existência do dolo". 

Legenda: A empresária Jamile Correia morreu por volta de 7h do dia 31 de agosto, no IJF
Foto: Foto: Reprodução

DENÚNCIA

Em maio de 2021, o órgão acusatório denunciou o advogado Aldemir Pessoa Júnior pelos crimes de feminicídio, lesão corporal, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo. A denúncia aconteceu após o caso passar por diversas varas do Poder Judiciário do Ceará, ir ao 2º Grau do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), retornar à 1ª instância e até mesmo motivar divergência de pareceres entre integrantes do MPCE. 

Sobre a acusação de fraude processual, o órgão apontou que Aldemir tentou atrapalhar a investigação inovando "artificiosamente, em elementos probatórios e informativos". Um dos fatos recordados na denúncia foi o momento que o acusado deu ordens ao porteiro do prédio residencial para que o porteiro limpasse as manchas de sangue e que a diarista limpasse todo o apartamento.

O MP ainda ressaltou que Aldemir portou armas de fogo dentro e fora de casa, tendo guardado as pistolas na casa de uma terceira pessoa, e conduzido as armas consigo em "diversos momentos, como exemplo durante o socorro da vítima ao hospital".