Fogo atinge área da Grendene

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O incêndio foi provocado pela explosão de máquina de prensar. Conforme funcionários, uma pessoa saiu ferida

Crato. Um incêndio em largas proporções destruiu totalmente, na madrugada de ontem, um dos galpões da Indústria de Calçados Grendene, no bairro Seminário, neste município do Cariri. O fogo começou às 22 horas da terça-feira. No local funcionava um almoxarifado, com materiais como borracha, e parte do estoque de materiais de setores da fábrica, considerados altamente inflamáveis. O fogo, segundo informações dos próprios funcionários cedidas ao comando do Corpo de Bombeiros, foi provocado pela explosão de uma máquina de prensar borracha. Após a explosão, as chamas rapidamente se espalharam.

Centenas de funcionários se encontravam na Grendene trabalhando e todos permaneceram por cerca de uma hora, enquanto se tentava controlar as chamas, mas o fogo apenas aumentou. Uma chuva rápida, após a meia-noite, serviu de atenuante para que os agentes do Corpo de Bombeiros e alunos do curso da brigada contra incêndios conseguissem controlar as chamas.

“Se não fosse a chuva, as conseqüências do incêndio seriam muito maiores”, reconhece major Roberto, comandante da Unidade do Corpo de Bombeiros do Crato, acrescentando que foram mobilizados 20 homens do Crato e de Juazeiro e seis viaturas, entre as quais, dois auto-tanques com compacidade para 16 mil litros de água. Além da água da própria fábrica, foram consumidos mais quatro carros-tanques.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo começou por volta das 22 horas e se prolongou até às 5 horas de ontem.

De acordo com informações de funcionários, um colaborador saiu ferido com queimaduras e foi levado para ser atendido num dos hospitais da cidade. Porém, segundo o Corpo de Bombeiros, não houve nenhuma vítima.

Sítio Fundão

Por pouco a área do Sítio Fundão, de propriedade particular, por onde passa o Rio Batateiras, não foi atingida em grandes proporções pela ocorrência.

Logo que o incêndio chegou próximo à cerca que separa a fábrica do sítio, funcionários da Grendene, além de uma média de 30 homens que se encontravam no local trabalhando para conter as chamas, auxiliaram nos locais estratégicos para que o fogo não se espalhasse.

O chefe do escritório do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eraldo Oliveira, esteve no local para verificar se o Sítio Fundão realmente havia sido atingido.

Há um movimento para se tombar a área como patrimônio permanente a ser preservado no município do Crato. Há poucos dias foi registrado incêndio no Fundão, área dividida pelo Rio Batateiras.

Segundo comandante do 5º Grupamento do Corpo de Bombeiros na região do Cariri, Raimundo Geraldo da Silva, o incêndio chegou a ser controlado apenas por volta de 1 hora da madrugada de ontem.

Mesmo assim, os agentes continuaram realizando o resfriamento, com o intuito de que a alta temperatura não atingisse os outros galpões e corresse o risco de pegar fogo em outras partes do local.

Segundo o comandante, a corporação jamais tinha vivenciado na região um incêndio dessas proporções. No caso desse tipo de ocorrência, é mais comum na Capital.

O trabalho feito pela empresa, no âmbito da prevenção de incêndio, também foi importante, segundo ele, para que o acidente não tomasse proporções maiores.

Do lado de fora, a aflição foi muito maior. O comerciante Edmilson de Souza Silva, que mora em frente à fábrica, se acordou com o barulho das sirenes do Corpo de Bombeiros. Quando abriu a porta, as ruas estavam cobertas de fumaça. “O fogo atingia mais de 10 metros de altura. Parecia que o mundo estava se acabando”, conta ele.

Edmilson pegou os filhos e a mulher, que estavam dormindo, colocou todos em um carro, afastando-se do local. “Eu estava com medo da caldeira explodir”, afirmou. A dona-de-casa Lourdes Carneiro descreveu que muita gente passou mal, principalmente pessoas idosas. “Alguns desmaiaram”, disse.

Silêncio

A administração da indústria não fornece nenhuma informação. Ontem de manhã, a telefonista disse que os diretores estavam em reunião e não poderiam atender a imprensa. Também não foi permitida a entrada de jornalistas na empresa. Os funcionários, que trabalham durante a noite, também não estavam autorizados a falar sobre o assunto. A maioria deixou a fábrica no meio da confusão do incêndio.

Mais informações:
Corpo de Bombeiros Crato
Av Maildes Siqueira, Ao lado do Parque de Exposições
(88) 3102.1253
Grendene: (88) 3523.2900

Elizângela Santos e Antônio Vicelmo
Repórteres