Cariri ultrapassa marca dos 1.300 profissionais da saúde infectados pelo novo coronavírus

Juazeiro do Norte lidera com 446 infectados. Deste total, dois profissionais morreram, ambos na cidade do Crato

Legenda: Do total de profissionais da saúde infectados,, 1.006 são mulheres e 378 homens
Foto: Antonio Rodrigues

A região do Cariri, composta por 29 municípios, ultrapassou a marca de 1.300 profissionais da saúde com Covid-19, mais especificamente, 1.384, segundo a plataforma IntegraSUS, da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa). Destes, apenas 50 ainda permanecem em tratamento, enquanto os demais já estão recuperados.

 

Maior município do interior do Estado, Juazeiro do Norte lidera a lista com 446 infectados pelo novo coronavírus. No entanto, o Crato foi o único que registrou mortes, somando dois óbitos. As mortes aconteceram nos dias 11 de julho e 2 de agosto. O primeiro, foi de um médico, com idade entre 70 a 74 anos. Já o segundo, foi de uma agente comunitário de saúde, com idade entre 60 a 64 anos.

As funções que tiveram maior número de profissionais acometidos pela doença no Cariri são: Técnico ou auxiliar de enfermagem (378), enfermeiro (197), agente comunitário de saúde (137) e médico (124).  No Ceará, o número de profissionais infectados é de 16.995, sendo que 16.750 já estão recuperados. O Estado soma 32 óbitos, sendo dez médicos e oito auxiliares ou técnicos de enfermagem. 

A enfermeira Priscilla Couto, do Hospital Santo Antônio, em Barbalha, foi uma das que contraiu a doença em junho. A princípio, suspeitava de infecção urinária, até as dores no corpo se intensificarem, sentindo cefaleia, dor nos olhos, vômito e apresentar quadro de diarreias, mas, até então, nenhum sintoma respiratório.

“Fui afastada, fiquei em casa e iniciei o protocolo de tratamento”, descreve.

Após realizar teste rápido e a tomografia mostrar o comprometimento pulmonar de 30%, confirmou a Covid-19. 

Insegurança

Apesar da Unidade iniciar todo plano de contingência, realizar reuniões e preparar um planejamento para enfrentar a pandemia, Priscilla admite que no início, principalmente entre os meses de março e maio, havia muita insegurança.

 

“Não pegou a gente de surpresa, porque podemos nos preparar para uma demanda nova”, pondera. “O medo não há.  A partir do momento que decide ser profissional da saúde, não pode ter medo de assistir paciente, independente da patologia, mas redobramos os cuidados para não levar para dentro de casa”, enfatiza.  

Ainda assim, no seu caso, não foram suficientes. Além dela, seu filho, de quatro anos, sua babá e sua irmã também foram infectados. Já seu esposo, não teve a covid-19.

“É uma doença bem estranha. No mesmo ciclo, três pessoas têm e outra não tem”, admite.

Evolução

Com o passar dos meses, a enfermeira acredita que a insegurança entre os profissionais foi diminuindo. “No começo, todo dia o Ministério da Saúde lançava protocolos novos. Hoje, temos mais segurança de cuidar e lidar com os pacientes. Consegue ver uma melhora clínica com uso de medicamento. A equipe está mais preparada. Antes, ficava muito apreensivo. Hoje, sabe como conduzir, desde a equipe médica à recepção”, completa.  

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