Absenteísmo não é acaso

Escrito por
Tatiana Feitosa producaodiario@svm.com.br
Tatiana Feitosa é enfermeira
Legenda: Tatiana Feitosa é enfermeira

O início de um novo ano costuma ser um momento de planejamento para as empresas. Por isso, também é o momento de olhar para a saúde dos colaboradores.

Durante muito tempo, o absenteísmo foi tratado como um problema operacional: alguém falta, alguém cobre, o trabalho continua. Mas essa lógica está ultrapassada. O absenteísmo não é aleatório. Ele é, na verdade, um retrato fiel da saúde das organizações.

Dados da Previdência Social mostram que, apenas no Ceará, em novembro de 2025, os afastamentos do trabalho foram liderados por três grupos de causas: doenças musculoesqueléticas, como problemas de coluna e articulações; lesões e traumas; e transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Esse cenário revela que estamos lidando com doenças previsíveis, rastreáveis e preveníveis.

Na maioria dos casos, esses problemas são resultado de processos de trabalho mal estruturados, ausência de acompanhamento contínuo da saúde e falta de uma cultura de prevenção. O impacto vai além da estatística. Cada afastamento representa uma pessoa adoecida, uma equipe sobrecarregada, uma empresa que perde produtividade e eficiência. 

A virada de chave para as empresas não está apenas em gerenciar afastamentos, mas em conhecer o perfil de saúde da sua população, identificar riscos e estruturar ações contínuas de cuidado. Não se trata apenas de oferecer acesso a consultas ou exames, mas de mapear a saúde dos colaboradores, acompanhar indicadores, prevenir e coordenar o cuidado ao longo do tempo.

Empresas que adotam esse modelo colhem resultados que vão além da redução do absenteísmo. Isso representa mais bem-estar, engajamento, produtividade, menos afastamentos prolongados e mais sustentabilidade ao negócio. 

Cuidar da saúde dos colaboradores deixou de ser apenas uma pauta de responsabilidade social. É uma estratégia clara de gestão, eficiência e competitividade.

Talvez não exista momento mais simbólico para fazer essa virada do que no começo do ano, quando decisões estruturantes são tomadas. Planejar o cuidado é tão estratégico quanto planejar o crescimento. O absenteísmo é um sinal. E toda empresa que aprende a ler sinais a tempo descobre que investir em prevenção não é custo, é inteligência.

Tatiana Feitosa é enfermeira

 
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