Por que as crianças adoecem mais no período de chuvas

Escrito por
Isa Xavier producaodiario@svm.com.br
Isa Xavier é médica
Legenda: Isa Xavier é médica

A casa muda de ritmo no período de chuvas. As janelas se fecham para cortar o vento, as crianças passam mais tempo dentro de casa, dividem brinquedos, sofás, cobertores e risadas. Aos poucos, sem que ninguém perceba, começam a surgir os espirros, a coriza, a tosse insistente e aquela febe baixa no fim do dia. De repente, a agenda do pediatra fica cheia. Não porque algo esteja errado, mas porque esse é o tempo em que o convívio aumenta, os ambientes ficam mais fechados e os vírus circulam com mais facilidade. É um movimento natural, previsível, que faz parte da infância e do processo de fortalecimento do organismo.

O corpo da criança está em constante aprendizado. Cada vírus que aparece é, na verdade, uma aula prática para o sistema imunológico, que vai se organizando, buscando respostas e criando memória. Nem sempre esse processo é fácil. Vêm a febre que assusta, o nariz escorrendo, a tosse que atrapalha o sono, o cansaço que muda o humor. No meio disso tudo, surgem a insegurança dos pais, as madrugadas em claro e aquela sensação de não saber exatamente o que fazer. Nessas horas, uma palavra tranquila, uma escuta atenta e uma orientação clara fazem toda a diferença.

O ambiente também tem papel decisivo. Escolas com boa ventilação, limpeza adequada, acesso à água e estímulo constante à higiene das mãos reduzem bastante os riscos. Em casa, atitudes simples, como manter janelas abertas, oferecer alimentação equilibrada e respeitar os períodos de descanso, ajudam a atravessar essa fase com mais tranquilidade. Uma rotina alimentar rica em frutas, verduras, legumes, proteínas de boa qualidade e hidratação adequada fornece os nutrientes necessários para que o sistema imunológico funcione de forma eficiente. O sono também exerce papel fundamental: é durante o descanso profundo que o organismo regula hormônios, reduz processos inflamatórios e fortalece suas defesas naturais.

Em alguns casos, quando há carências nutricionais identificadas ou maior vulnerabilidade, a suplementação orientada por profissional de saúde pode ser uma aliada importante. Vitaminas como a D, vitamina C, zinco e outros micronutrientes só devem ser utilizados com indicação adequada, respeitando idade, peso e necessidade individual. Não se trata de medicar preventivamente, mas de oferecer suporte quando realmente há indicação.

Entender que as viroses fazem parte desse ciclo natural diminui a ansiedade, evita excessos de medicamentos e fortalece a confiança. O período chuvoso passa, os episódios se tornam menos frequentes e o organismo sai mais preparado. Entre uma chuva e outra, constrói-se algo maior que a simples ausência de doenças: constrói-se saúde, dia após dia, com paciência, cuidado e informação.

Isa Xavier é médica

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