A Reforma Tributária é agora

Escrito por
Larissa Silveira e Ivens Medeiros producaodiario@svm.com.br
Larissa Silveira e Ivens Medeiros são advogados
Legenda: Larissa Silveira e Ivens Medeiros são advogados

Demorou, mas chegou! O ano de 2026 marca o início da transição da Reforma  Tributária, mais uma (e provavelmente a maior) tentativa de transformar o sistema  tributário brasileiro, amplamente reconhecido como um dos maiores entraves para  o ambiente de negócios no país. 

A reforma surgiu com o objetivo de simplificar e equilibrar um modelo de tributação reconhecido por sua elevada complexidade, baixa transparência, insegurança  jurídica e alto custo operacional. Traz a substituição de cinco tributos pelo IVA Dual,  dividido em dois novos tributos, a Contribuição sobre Bens e Serviços – CBS, de  competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços – IBS, de competência dos  estados e municípios.

A eliminação da “tributação em cascata”, por meio da não cumulatividade plena e  do aproveitamento integral dos créditos ao longo da cadeia produtiva, tende a favorecer empresas com cadeias longas e estruturadas, já que poderão descontar  todo o imposto pago nas etapas anteriores. Por outro lado, a carga tributária pode  aumentar de forma impactante para prestadores de serviços e outros segmentos  com baixa geração de créditos. 

O período de transição será longo e gradual, e impõe às empresas a convivência  simultânea de regimes tributários distintos, com múltiplas bases de cálculo,  obrigações acessórias paralelas e diferentes sistemas de apuração. Pelo menos no  curto e médio prazo, viveremos uma fase de “primeiro vai piorar, para depois melhorar”. Espera-se a necessidade de mais controles, gerando maior custo  operacional e risco de erros. Somado à incompletude da legislação, a insegurança jurídica é latente, com potencial de agravar o contencioso tributário do país. 

Ao que nos parece, na dificuldade de composição dos múltiplos interesses envolvidos no tema, optou-se por um modelo que transfere para o setor produtivo  o ônus da adaptação de sistemas, processos e estruturas, sem garantia de que o ganho futuro compensará o aumento imediato de complexidade e custos. Em vez  de reduzir o custo tributário do país, corre-se o risco de ampliá-lo durante anos, 
especialmente para empresas que já operam com margens pressionadas.

O momento é de planejamento estratégico e adaptação, simulação dos impactos  da nova tributação nos custos e investimento em tecnologia para gerenciar o  complexo sistema de créditos, sendo certo que o sucesso da transição dependerá  menos do texto já aprovado e mais da capacidade coletiva de dialogar, planejar e  agir para construir um sistema que seja, de fato, mais simples e justo para o Brasil.

Larissa Silveira e Ivens Medeiros são advogados

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