Com salários atrasados, 398 terceirizados da ArcelorMittal são barrados no Pecém
Trabalhadores realizaram protesto nessa quarta-feira (8).
Quase 400 trabalhadores vinculados à Evsa, empresa que presta serviços à ArcelorMittal, estão com o salário de março atrasado e foram impedidos de acessar o local de trabalho nessa quarta-feira (8), segundo o sindicato da categoria.
De acordo com a entidade, o contrato entre as empresas foi encerrado sem que os funcionários fossem formalmente comunicados pela terceirizada.
Relatos enviados ao Diário do Nordeste afirmam que, na tarde da terça-feira (7), somente a ArcelorMittal informou que os contratos com a Evsa seriam encerrados a partir do dia seguinte, quarta-feira (8).
“A Evsa não nos comunicou nada, ficamos sabendo apenas pela ArcelorMittal. Hoje voltamos para trabalhar e todos os colaboradores estão com acesso bloqueados”, disse uma funcionária que preferiu não se identificar.
Em outro comunicado, enviado na segunda-feira (6), dessa vez pela Evsa, a terceirizada informou que, conforme estabelecido no Acordo Coletivo vigente, o pagamento poderia ser realizado até o 5º dia útil de cada mês.
Em abril, esse prazo chegou ao fim na última terça-feira.
“A Evsa já vem sendo inadimplente com os colaboradores há muito tempo. Tudo começou com a falta de pagamento do nosso fundo de garantia, depois ‘atrasos’ recorrentes com vale alimentação e salário”, relatou a funcionária.
Em protesto, os trabalhadores reuniram-se do lado de fora da ArcelorMittal nessa quarta. “A empresa não deu baixa nas nossas carteiras e não fez o pagamento do nosso salário, que está atrasado. Estamos em protesto porque ela fechou as portas e foi proibida a nossa entrada”, disse outro trabalhador.
Negociação com a empresa
O trabalhador conta que uma nova assembleia foi convocada para sexta-feira (10). “Eles ficaram de pegar todos os nossos dados e passar para a ArcelorMittal, para fazer nosso pagamento até esta quinta-feira. Sexta-feira, se não tiver pago, vamos para outra negociação”, complementou.
“Mas essa proposta é só para o pagamento do mês atrasado. A questão de como vai ficar nossa situação na carteira, se vão dar baixa ou não vão, não tem nada resolvido”, disse o funcionário.
Diante da situação, o Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará (Sindmetal-CE) acionou o Ministério Público do Trabalho para que seja feita uma audiência de conciliação, reunindo a ArcelorMittal e a Evsa, para tratar exclusivamente do atraso salarial.
Acredito que essa mediação deve acontecer até sexta-feira, no máximo, e estamos muito convictos e confiantes em resolver, uma vez que a empresa contratante (ArcelorMittal) tem o recurso para cobrir os salários do mês de março dos 398 trabalhadores. Com a empresa contratada (Evsa) fornecendo os dados necessários, acontecerá o depósito dos valores.
Em nota, a ArcelorMittal informou que o encerramento do contrato com a Evsa já estava previsto em cronograma para este mês de abril. Além disso, pontuou que será realizado um processo de concorrência para selecionar empresas para a prestação dos serviços, que continuam sendo necessários.
O comunicado também destaca que a Evsa é responsável pelo pagamento de seus colaboradores e fornecedores, conforme previsto na legislação e no contrato estabelecidos.
“A ArcelorMittal reforça que todas as suas obrigações contratuais seguem sendo cumpridas dentro dos prazos e condições estabelecidos, não havendo pendências”, complementa.
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Questionada pela reportagem se houve diálogo com os trabalhadores sobre o bloqueio da entrada na quarta-feira (8), a ArcelorMittal reforçou, por meio da assessoria de imprensa, trecho da nota enviada.
Nele, a empresa pontua que está acompanhando a situação, dialogando com o Sindmetal-CE e com a empresa terceirizada.
Empresa demitiu 119 funcionários em fevereiro de 2026
Em fevereiro deste ano, a Evsa já havia se envolvido em outra questão trabalhista. Na ocasião, houve dois dias de paralisação devido ao desligamento de 119 funcionários sem que fosse feito o pagamento das devidas verbas rescisórias.
Após duas negativas, os trabalhadores aceitaram a terceira proposta feita pela empresa, de que o valor de R$ 3 mil seria pago de imediato e o restante das verbas rescisórias seriam depositadas no dia 27 de fevereiro, no momento da homologação das demissões.
Trabalhadores da Evsa que até então estavam na ativa também aderiram à paralisação, em apoio aos colegas demitidos e por pautas próprias.
Segundo o Sindmetal-CE, eles tiveram os dias parados abonados e a empresa anunciou a regularização das férias vencidas, dos depósitos de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do plano de saúde.
A reportagem tentou contato com a Evsa por telefone e por e-mail, mas não teve retorno até o fechamento desta matéria.
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Veja a nota da ArcelorMittal na íntegra
A ArcelorMittal informa que o contrato comercial de prestação de serviços firmado com a EVSA está em processo de encerramento neste mês de abril, conforme o cronograma já previsto. Os serviços continuam sendo necessários e serão prestados por outras empresas selecionadas a partir de um processo de concorrência.
A ArcelorMittal reforça que todas as suas obrigações contratuais seguem sendo cumpridas dentro dos prazos e condições estabelecidos, não havendo pendências.
Reforçamos que a empresa terceirizada é responsável pelo pagamento de seus colaboradores e fornecedores, conforme previsto na legislação e no contrato estabelecidos.
A ArcelorMittal está acompanhando a situação, dialogando com o Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará - Sindmetal e com a empresa terceirizada. Seguimos comprometidos com a gestão responsável da cadeia de suprimentos, pautada em critérios de governança, compliance e valorização das pessoas. O cuidado com as pessoas é um valor para a ArcelorMittal.