OMS suspende temporariamente os ensaios clínicos com hidroxicloroquina por segurança

A decisão da Organização Mundial da Saúde segue a publicação de um estudo que considerou ineficaz ou até prejudicial o uso de cloroquina e seus derivados, como a hidroxicloroquina, contra a Covid-19

Legenda: OMS suspende temporariamente os ensaios clínicos com hidroxicloroquina por segurança
Foto: George Frey/AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, nesta segunda-feira (25), que suspendeu "temporariamente" os ensaios clínicos com hidroxicloroquina que realiza com parceiros em vários países, como precaução. 

Esta decisão segue a publicação de um estudo na sexta-feira na revista médica The Lancet que considerou ineficaz ou até prejudicial o uso de cloroquina e seus derivados como a hidroxicloroquina contra a Covid-19, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, detalhando que a suspensão dos ensaios foi feita no sábado. 

A OMS iniciou há mais de dois meses ensaios clínicos sobre os efeitos da hidroxicloroquina, chamados "Solidariedade", a fim de encontrar um tratamento eficaz contra a COVID-19. 

Atualmente, "mais de 400 hospitais em 35 países recrutam ativamente pacientes e cerca de 3.500 pacientes foram recrutados em 17 países", explicou a autoridade máxima da OMS. 

Entretanto, de acordo com o grande estudo publicado no The Lancet, realizado com quase 15.000 pacientes, nem a cloroquina nem seu derivado da hidroxicloroquina são eficazes contra a COVID-19 em pacientes hospitalizados e essas moléculas aumentam o risco de morte e arritmia cardíaca. 

Os testes serão suspensos até que os "dados" coletados pelos testes Solidaridade sejam "analisados", disse Tedros. 

"Esta é uma medida temporária", informou Soumya Swaminathan, chefe do departamento de ciências da OMS, antes de enfatizar a "incerteza" em torno do uso da hidroxicloroquina. 

A hidroxicloroquina é um derivado da cloroquina e tem sido usada há décadas contra a malária e também é prescrita em doenças de origem autoimune, como lúpus e artrite reumatóide. 

Após um pequeno estudo chinês pouco detalhado que alegou a eficácia do fosfato de cloroquina no tratamento de pacientes com SARS-CoV2, a cloroquina ganhou destaque. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confessou consumir a medicação para prevenir a COVID-19 e o Ministério da Saúde recomendou seu uso em pacientes contagiados com sintomas leves. 

Na segunda-feira, o chefe da OMS lembrou que esses medicamentos - hidroxicloroquina e cloroquina - "são geralmente reconhecidos como seguros para pacientes afetados por doenças autoimunes ou malária".

No Brasil, após determinação do presidente Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde alterou na última quarta (20) o protocolo para permitir o uso dos medicamentos também por pacientes com sintomas leves do novo coronavírus. Até então, a orientação era de uso apenas por pacientes graves e críticos e com monitoramento em hospitais.