Volta às aulas exige cuidados para evitar sobrecarga física e mental

No ensino à distância ou híbrido, deve-se prestar atenção à postura para evitar problemas de coluna. A socialização deve ser incentivada, sobretudo no online

crianças correndo de máscara e mochila nas costas
Legenda: O peso da mochila deve ser uma preocupação para os pais de crianças que vão voltar para o presencial
Foto: Shutterstock

Com o fim de julho, as escolas voltam às atividades, seja de forma híbrida ou online. O retorno às aulas exige dos pais um cuidado especial para evitar sobrecarga física e mental dos estudantes. 

O decreto estadual vigente permite a volta das atividades presenciais com 50% da capacidade das turmas e oferecimento de ensino remoto, cabendo aos pais e responsáveis a escolha da modalidade a ser escolhida.  

O momento ainda atípico exige preocupação com a socialização dos alunos, sobretudo os mais novos e que continuarem em atividades apenas virtuais. O ambiente de estudo em casa também deve ser pensado para criar o mínimo de distrações. 

Postura 

Para quem vai voltar para o semipresencial, a dica é prestar atenção no peso da mochila para não prejudicar a postura. Segundo a fisioterapeuta com formação em reeducação postural global e pós-graduanda em coluna vertebral, Raquel Cavalcante, o indicado é que o peso da mochila não seja superior a 10% do peso da criança. 

A bolsa também deve ter alças largas e estar ajustada corretamente, terminando no final da coluna. Para os que utilizam a mochila de carrinho, deve-se sempre carregar lateralmente o corpo, sem necessidade de entortar a postura. 

Quem vai continuar apenas em casa deve ter um espaço reservado para o estudo e a postura deve seguir uma ergonometria. Tanto o peso como a má postura durante longos períodos podem causar problemas como escoliose e hipercifose, diz a especialista. 

“As crianças querem estudar deitada na cama ou no sofá e isso não é o correto. Deve-se sentar em cima dos ossinhos do bumbum, com o computador na altura dos olhos e braços em cima da mesa”, orienta. 

Ela orienta que é papel dos pais e professores prestarem atenção em possíveis desvios de postura. “Se eles já observarem que existe desvio, procure um fisioterapeuta especialista em postura para fazer avaliação. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o tratamento”, recomenda. 

Visão 

Os pais devem prestar atenção com possíveis problemas de visão e auditivos que podem ter surgido ou se agravado durante esse mais de um ano em que as crianças e adolescentes estão "reféns" de telas para os estudos. 

O indicado é ter exames de oftalmologista e otorrino em dia para perceber qualquer dificuldade. Raquel explica que a criança que tem dificuldade de ver pode acabar forçando mais a visão e a própria postura, se curvando para frente para conseguir enxergar. 

Para evitar o desgaste da visão nas aulas online, o indicado é manter sempre uma distância da tela do computador, utilizando-o em uma mesa. “Quando a gente senta no sofá e coloca o computador no colo fica muito próximo [dos olhos]”, diz. 

Socialização 

A volta às aulas é um momento importante para os pequenos que estavam apenas com a família possam socializar com pessoas diferentes e colegas de idade próxima. Isso deve ser algo incentivado, sobretudo para quem ainda está somente no online. 

Nós somos seres sociais e nós desenvolvemos muito através da socialização, é por isso que voltar as aulas mesmo com todo cuidado é muito importante. O aprendizado acontece no coletivo e é no coletivo que aprendemos outras coisas também que são muito importantes, como controlar ansiedade, agressividade... 
Eveline Câmara
gestora e fundadora do Instituto de Especialidades Integradas

A gestora e fundadora do Instituto de Especialidades Integradas, Eveline Câmara, diz que os pais devem ter sempre o cuidado de conversar com os filhos sobre o momento atual como sendo algo passageiro e buscar estreitar laços e realizar atividades prazerosas mesmo dentro de casa. 

O indicado é incentivar a interação virtual com colegas de escola. “As crianças e adolescentes de hoje já nasceram na cultura da tecnologia. É importante mostrar que o contato virtual também é afetivo”, coloca.  

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