Só um terço das cidades do Ceará aplicaram mais de 90% da segunda dose das vacinas contra Covid-19

Atraso na conclusão do esquema vacinal pode ter sido provocado pelo desabastecimento de doses da CoronaVac e pela subestimação de metas, diz Cosems-CE

Segundo o Vacinômetro, 16 municípios estão abaixo de 60% nas taxas de cobertura da segunda dose da vacina contra a Covid-19.
Legenda: Segundo o Vacinômetro, 16 municípios estão abaixo de 60% nas taxas de cobertura da segunda dose da vacina contra a Covid-19.
Foto: Thiago Gadelha

Quase quatro meses após o início da vacinação contra a Covid-19 no Ceará, somente 61 municípios (33,1%) dos 184 estão com taxas de cobertura da segunda dose acima de 90%. A média de todo o Estado nesta etapa do esquema vacinal dos primeiros grupos prioritários, segundo dados registrados até a quinta-feira (29) no Vacinômetro, do Governo, era de 78,27%.

Isso significa que muitas cidades têm ainda longo caminho a percorrer — no menor tempo possível — até passarem para a etapa seguinte da campanha de imunização, que prioriza grávidas, puérperas, lactantes e pessoas com comorbidades e com deficiências permanentes.

Estão dentre as mais avançadas na cobertura da segunda dose (D2) cidades como Monsenhor Tabosa (100,79%), Nova Olinda (100,73%), Tianguá (100,19%) e Umari (100%).

Faltando em torno de 300 pessoas para alcançar a meta estipulada, Piquet Carneiro vacinou até o momento 90,91% do público-alvo. Secretária de saúde do município, Valéria Franco atribui o bom trabalho a planejamento e estrutura de pessoal — lá, segundo ela, as equipes de Saúde da Família estão 100% preenchidas. "E não vacinamos aleatoriamente", garante a gestora.

Por outro lado, dentre os municípios mais atrasados nesse processo, se destacam Várzea Alegre (32,24%), Maracanaú (45,41%), Senador Sá (46,78%), Trairi (47,74%), Meruoca (47,75%), Acopiara (48,43%) e Abaiara (49,34%).

Causas para a desaceleração da campanha

Presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE), Sayonara Cidade argumenta que as principais causas para a desaceleração da aplicação de D2 foram o desabastecimento de CoronaVac nas duas últimas semanas e a subestimação de metas, que acontece quando o número estimado pelo governo de pessoas para receber com prioridade a vacina não condiz com a realidade dos municípios. 

Não tínhamos parâmetro para essa vacina. Uma coisa é vacinar crianças, adultos, como temos feito a vida inteira, com metas que a gente já conhecia. Mas, quando foi para fazer uma meta para a população total, experimentamos a subestimação. A gente não sabia o tamanho desse furo”.
Sayonara Cidade
Presidente do Cosems-CE

Além disso, segundo ela, a cobertura de cadastros para receber os imunizantes está em 80%, o que significa que “temos ainda 20% da população fora”.

Expectativas positivas

As expectativas para a próxima semana, porém, são boas, segundo Sayonara. Tanto para os municípios cearenses receberem mais doses de CoronaVac e, assim, concluírem os esquemas vacinais dos primeiros grupos prioritários, quanto para a introdução de mais uma vacina na campanha de imunização, a produzida pela Pfizer com a BioNTech.

“A gente está feliz porque, na segunda-feira [dia 26], o Ministério da Saúde assegurou que, a gente mandando a resolução da CIB [Comissão Intergestores Bipartites] comprovando que houve subestimação da meta, [o envio de doses] vai ser regularizado”, afirmou a presidente.

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