Sem aulas presenciais, crianças se adaptam às atividades remotas na pandemia

O pequeno Júlio Filho, no primeiro dia de aula remota, não segurou a emoção e chorou com saudade da escola

Legenda: O pequeno Júlio Filho não segurou as lágrimas ao fim da primeira aula remota e chorou com saudade da escola
Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Com a chegada da pandemia de Covid-19, a rotina de pais, alunos e professores precisou se adequar substancialmente a nova realidade. Sem a possibilidade dos encontros presenciais na sala de aula, as instituições de ensino passaram a recorrer à atividades a distância para dar seguimento ao ano letivo. Para o pequeno Júlio Filho, que completou 4 anos nesta quarta-feira (20), a adaptação está acontecendo com um misto de sentimentos. 

Aluno do Infantil III, do Colégio Irmãs Paula, no município de Caucaia, na Grande Fortaleza, o pequeno não segurou as lágrimas ao fim de uma das aulas remotas. Os pais, Júlio César Pai e Edilania Rodrigues decidiram gravar a declaração. “Nós estávamos no primeiro dia de aula, no retorno das férias. Como não é de costume, ele achou estranho. No finalzinho da aula começou a ficar um pouco nervoso, dizendo que queria ir para a escola”, lembra o pai.

No vídeo, gravado pela mãe no retorno às aulas, no último dia 11 deste mês, é possível ouvir o pequeno dizendo que quer ir para escola, enquanto a mãe tenta acalmá-lo. Um dos motivos, segundo traz na fala, é a saudade da professora, Gabrielly Castro. “Foi a nossa primeira aulinha virtual. Fazia quase 1 mês que a gente não se via e o Júlio participou muito”, conta. “A gente viu que ele realmente estava muito emocionado. Eu me emocionei muito, achei muito fofo, mas é também muito doloroso por conta da situação”.

Adaptação

Mesmo com a situação atípica, a forma como Júlio vem se adaptando às aulas remotas chama a atenção dos professores e pais. “Ele sente falta do dia a dia com os colegas, mas a experiência que está transmitindo na aula remota é muito positiva. Ele interage, ele brinca, ele canta. Está nos surpreendendo a naturalidade com que ele está se adaptando”, conta. O irmão mais velho, Jean Lucas, de 9 anos, que cursa o 4° ano na mesma escola, também está se adequando às novas atividades.

Legenda: Mesmo com a situação atípica, a forma como Júlio vem se adaptando às aulas remotas chama a atenção dos professores e pais
Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Saúde Psicológica

A psicóloga Marleide Oliveira, do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), que atua no Núcleo de Atenção à Infância e Adolescência do HSM, explica que por passar muito tempo em casa, crianças e adolescentes podem apresentar sinais de estresse, raiva e ansiedade. Por conta da situação, os pais devem ser os primeiros a apoiar e gerir este momento. “Diga só o que eles precisam saber, pois isso ajuda a diminuir o estresse”, indica Marleide. 

“É importante criar uma rotina juntos, organizando horários para dormir, acordar, alimentar-se, ler, pintar, brincar e realizar as atividades enviadas pela escola ou para as revisões dos estudos, pois a rotina traz segurança e ajuda a reduzir a ansiedade”, explica a psicóloga. 

Além disso, a especialista recomenda preencher o tempo com atividades e brincadeiras simples, feitas com o que já se tem em casa para estimular a criatividade das crianças. “Utilize materiais que facilmente estão à mão, como tesoura, fita crepe, cola, etc. Com esses materiais simples, convide seus filhos para colocarem a mão na massa e, juntos, façam bonecos, brinquedos, máscaras, entre outros acessórios voltados para a construção de momentos lúdicos em família”, ressalta.

Ensino a Distância

Na última semana de abril, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou as diretrizes para orientar escolas da educação básica e instituições de ensino superior durante a pandemia. Com parecer elaborado com colaboração do Ministério da Educação (MEC), ficou definido um documento com orientações para a educação infantil à superior. O material aprovado tem o objetivo de orientar estados, municípios e escolas sobre as práticas que devem ser adotadas. 

Para creches e pré-escolas, situação do pequeno Júlio Filho, a orientação é que os gestores escolares busquem uma aproximação virtual dos professores com as famílias, “de modo a estreitar vínculos e fazer sugestões de atividades às crianças e aos pais e responsáveis”. Ainda conforme o CNE, as soluções devem considerar que as crianças pequenas aprendem e se desenvolvem brincando prioritariamente.

Segundo as orientações, pais e responsáveis devem tornar a rotina dos pequenos o mais próximo possível do habitual. “A escola é um lugar muito bom para eles e ter que ficar distante desse espaço é muito complicado. A gente fica preocupada, principalmente os professores da educação infantil. Os bebês são como nossos filhos. A gente fica distante mas com o coração lá onde eles estão”, conta a professora Gabrielly Castro.