Saiba se atraso na segunda dose da CoronaVac prejudica a imunização

Ministério da Saúde afirmou que intervalos maiores entre as doses não devam prejudicar o esquema vacinal, mas ressalta que os atrasos devem ser evitados pois não há como assegurar a devida proteção até aplicação da D2

Vacinas Coronavac do Instituto Butantan
Legenda: A CoronaVac é produzida no Brasil pelo Instituto Butantan.
Foto: Agência Brasil

Dada a dificuldade de fornecimento da segunda dose da vacina CoronaVac no País - conforme afirmou nesta segunda-feira (26) o ministro da Saúde Marcelo Queiroga -  e a paralisação na aplicação da D2 em várias cidades, as dúvidas em torno da eficácia do processo de imunização têm preocupado a população.

Apesar de o Ministério da Saúde pontuar que, provavelmente, intervalos maiores entre as doses não devam prejudicar o esquema vacinal, ele ressalta que os atrasos devem ser evitados pois não há como assegurar a devida proteção até a administração da D2 nos indivíduos.

De acordo com o imunologista e professor do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Universidade Federal do Ceará (UFC), Edson Teixeira, é importante que as pessoas tomem as vacinas dentro do tempo proposto pelos laboratórios. No caso da CoronaVac, a estimativa da segunda dose é entre 14 a 28 dias, atingindo índices de maior eficiência após o 21º dia da primeira dose, segundo o Instituto Butantan.

No entanto, caso haja demora entre a imunização, o professor recomenda que, assim que as vacinas estiverem disponíveis, as pessoas devem buscar se proteger o quanto antes, pois “a eficácia global só é atingida de duas a três semanas depois de completo o esquema vacinal. Então o indivíduo que está somente com a primeira dose não atinge essa eficácia e obviamente pode vir a contrair o vírus e adoecer de Covid-19”.

Edson Teixeira explica que com o atraso entre as doses, as pessoas tendem a demorar mais para atingir a proteção completa proposta pelo fabricante, correndo, assim, riscos de se contaminar com a doença, visto que só estarão parcialmente seguras.  “Em um momento desse que a gente tem vivido, é muito importante que nós tenhamos vacina para acelerar esse processo”, alerta.

“Cada um dos laboratórios produziu os seus dados de eficácia dentro de um determinado esquema vacinal, por isso é muito importante que nós sigamos esse esquema”
Edson Teixeira
imunologista e professor da UFC

O imunologista esclarece ainda que, como a CoronaVac utiliza o vírus inativo da Sars-Cov-2, faz-se necessário mais de uma dose da vacina no organismo neste tipo de imunizante. “Não é um reforço da vacina, é na verdade um esquema vacinal proposto para que se atinja a eficácia observada nos estudos de fase três”.

A secretária municipal de saúde de Fortaleza, Ana Estela Leite, reforça que não há como garantir a segurança necessária apenas com a aplicação da primeira dose da CoronaVac. "Tudo em relação à pandemia - enfrentamento, casos, como também a vacina - é muito novo e muito incerto. Existe essa fala [do Ministério da Saúde] de que não haveria prejuízo, mas realmente é incerto, não podemos afirmar porque nós começamos a utilizá-las [vacinas] este ano", pontua Ana Estela Leite.

O impacto é certo mesmo no âmbito coletivo. Edson Teixeira aponta que - com a suspensão da aplicação da D2 da Coronavac- mais cearenses que deveriam estar imunizados não completarão o esquema de vacinação. É tempo a mais para atingir uma imunidade de rebanho e também mais pessoas expostas ao coronavírus.

O atraso da segunda dose

O Ministério da Saúde autorizou, no dia 21 de março, que a totalidade de vacinas armazenadas pelos estados e municípios fossem utilizadas já na primeira dose, com o objetivo de ampliar o número de vacinados no país. No entanto, o ministro Marcelo Queiroga afirmou nesta segunda-feira (26) que “em face do retardo dos insumos vindos da China para o Butantan, há uma dificuldade com essa segunda dose”.

Os estados de Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, São Paulo, Amapá e Paraíba recentemente limitaram ou suspenderam a vacinação devido à falta de doses para a segunda aplicação.

No Ceará, sem doses para concluir o esquema vacinal contra a Covid-19, municípios cearenses começam a enfrentar cenários de colapso da campanha de imunização. Caso, por exemplo, de Juazeiro do Norte, Horizonte, Várzea Alegre, Cedro, Acopiara e Icó. A Capital cearense também só tem vacinas de Coronava disponível para vacinar até hoje.

O Instituto Butantan esclarece que o Ministério da Saúde é o responsável por planejar e coordenar a campanha de vacinação contra a Covid-19 em todo o Brasil. “Todo o esquema vacinal, definição de públicos-alvo e de intervalos entre as doses, assim como a logística de distribuição das vacinas aos estados e as devidas orientações técnicas sobre a vacinação competem à pasta federal”.

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, ressaltou em uma coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira (28), que para completar a imunização é importante a aplicação da segunda dose da vacina, ainda que o intervalo seja maior do que o recomendado em bula.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) orienta que os municípios não utilizem o estoque da segunda dose em aplicações da D1. "Com a irregularidade da fabricação e do envio dessas vacinas é importante que se resguarde a segunda dose das pessoas para que elas completem a imunização”, pontua a secretária Executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida.

 

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