Número de mortos no trânsito de Fortaleza em 2021 já é 10% maior do que no primeiro semestre de 2020

Segundo a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), a maior parte das vítimas foram motociclistas trabalhando com entregas por aplicativo

Segundo a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), motociclistas que trabalham com entregas por aplicativo foram os que mais morreram no tráfego de Fortaleza no primeiro semestre deste ano.
Legenda: Segundo a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), motociclistas que trabalham com entregas por aplicativo foram os que mais morreram no tráfego de Fortaleza no primeiro semestre deste ano.
Foto: José Leomar

Comprovando a tendência de aumento do risco de morte no trânsito durante a pandemia de Covid-19, Fortaleza registrou, no primeiro semestre deste ano, um percentual de mortos 10,1% maior (98) do que o apontado em igual período de 2020 (89). A maioria das vítimas foram motociclistas (52%) e pedestres (32,6%). 

Nos dois momentos observados, embora tenham sido decretados dois lockdowns para conter a pandemia, a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) notou um aumento de 24,6% no fluxo veicular este ano em relação a 2020, o que, segundo o órgão, pode ter influenciado na alta das mortes

“No lockdown do ano passado, as pessoas obedeceram de forma mais rígida, não saíram de casa, estavam se resguardando. E a gente teve uma redução de acidentes. Só que, no segundo lockdown, as pessoas não ficaram muito em casa e o fluxo de veículos não baixou tanto”, concluiu Juliana Coelho, superintendente da AMC. 

A gestora informou também que a maior parte dos envolvidos nos acidentes de trânsito este ano foram entregadores por aplicativo. “A gente está aumentando a fiscalização em relação a esses motociclistas porque a gente vê, nas abordagens das blitzes, uma grande parte deles que anda com licenciamento atrasado há mais de 10 anos, por exemplo, e que são infratores contumazes, com um número muito grande de multas”. 

 

Contudo, outro tipo de deslocamento por moto “estimulado” pela pandemia tem preocupado a gestão. De acordo com Juliana, por causa do medo de se infectarem em aglomerações no transporte público, “muitas pessoas deixaram de andar de ônibus e passaram a andar de moto, o que também impactou no aumento do fluxo de veículos" e, consequentemente, no aumento das mortes. 

Possibilidade de regressão 

Se continuar nesse ritmo, a Capital pode, no próximo ano, regredir nas estatísticas contínuas de queda no número de mortos e feridos no trânsito. 

Segundo a última edição do Anuário da Segurança Viária de Fortaleza, em 2020, foram registrados 193 mortos e, em 2019, 198, numa redução que já se mostrou mais tímida do que a que vinha acontecendo nos anos anteriores. E, comparado ao primeiro semestre de 2019 (102), o número de mortos do primeiro semestre deste ano é apenas 4% menor

Estratégias 

Apesar de reconhecer que a responsabilidade é compartilhada entre gestão pública e sociedade civil, Juliana diz que “a gente [gestão] tem que estar constantemente fazendo ações pra não deixar aumentar de forma nenhuma”. 

Uma dessas estratégias, ela diz, é a de readequar os limites de velocidade não apenas em algumas, mas em todas as principais vias da Capital. “Até o fim do ano, as principais vias têm tendência de serem 50km/h. É uma recomendação da ONU [Organização das Nações Unidas]. Porque, moderando a velocidade, a gente consegue aumentar a chance de sobrevivência”, argumenta.  

Segundo a gestora, a mudança é necessária, inclusive, para que o entendimento do condutor seja um só: de que os limites de velocidade na Capital não vão mais ser 60 km/h e, sim, 50 km/h. 

Além disso, ela garantiu que, devido à volta do funcionamento “normal” dos bares e restaurantes, o órgão tem retomado as blitzes da Lei Seca. E, também, ampliado as Áreas de Trânsito Calmo, com limites de velocidade entre 30 km/h e 40 km/h, e investido em estratégias de comunicação e educação. 

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