Primeira semana de maio tem maior taxa de congestionamento em Fortaleza em 2021

Dados de monitoramento internacional indicam que a circulação de veículos na Capital vem aumentando e se aproxima dos patamares de 2019.

Legenda: Congestionamento próximo a um dos cruzamentos do Centro da Capital cearense
Foto: Agência Diário/Helene Santos

O atual decreto estadual de isolamento social, válido para todo o Ceará, descreve não só a "manutenção do dever de permanência das pessoas em suas residências", mas também a "restrição à circulação de veículos".

Contudo, dados de um monitoramento internacional mostram que, entre abril e maio de 2021, os congestionamentos no trânsito de Fortaleza voltaram a se aproximar dos níveis de 2019, ano ainda sem a pandemia da Covid-19.

Em janeiro e fevereiro, meses em que a Covid-19 começava a ter maior transmissão na cidade, a média do nível de congestionamentos era 38% menor quando comparada ao mesmo período de 2019.

Por causa da pressão sobre o sistema de saúde, escalada de casos e óbitos, o segundo lockdown começou a valer em Fortaleza no dia 5 de março. Dessa data até 11 de abril, a média semanal de redução foi de 47%. O pico de queda ocorreu entre 15 e 21 de março, quando só houve metade dos congestionamentos em relação a dois anos antes.

A partir de 12 de abril, a Capital voltou a uma retomada gradual para a reabertura de alguns setores. Nas duas semanas seguintes, a redução teve média de 35%. Contudo, no último período de abril, passou para 29% e, no início de maio, para apenas 11%.

Os dados são do Índice de Tráfego TomTom, empresa multinacional que desenvolve tecnologias de localização e navegação, e foram colhidos na manhã desta sexta-feira (14). 

Retorno gradual

Entre 2 e 9 de maio, a taxa média de congestionamento foi de 34%, ou seja, uma viagem levou 34% a mais de tempo do que deveria em condições sem obstáculos. O menor índice alcançado neste ano foi de 19%, em março.

Apesar do aumento de congestionamentos apontado pelo levantamento, as análises da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) ainda apontam redução do fluxo. 

“No período de isolamento social rígido, o órgão registrou uma redução de cerca de 30% no volume de veículos. Atualmente, no período de retorno gradual das atividades, o percentual oscila entre 10% e 20%, embora seja menor quando comparado ao fluxo normal”, afirmou, em nota.

O órgão também informou que “permanece monitorando o fluxo e comportamento veicular” em Fortaleza por meio de equipamentos de fiscalização eletrônica e agentes em campo. 

O taxista Kevin Rocha trafega pela Capital todos os dias e confirma que, desde o fim do lockdown e com a flexibilização de atividades econômicas, percebeu um crescimento nos congestionamentos:

Redução de sinistros e mortes

Das 13 cidades acompanhadas pela TomTom na América do Sul, Fortaleza ficou na 6ª posição de congestionamentos em 2020, com taxa média de 31% - seis pontos percentuais a menos que a verificada em 2019. Entre as 416 cidades monitoradas no mundo, ficou em 48º.

O Índice de Tráfego destaca também que Fortaleza teve 76 dias com tráfego baixo, ou seja, aqueles com pelo menos 50% de redução quando comparados ao mesmo período de 2019. Eles coincidem com o início da pandemia no Estado, entre a segunda quinzena de março e os dois meses seguintes.

A redução de veículos nas ruas trouxe benefícios para a segurança viária. A Capital registrou, em 2020, o menor número de vítimas por acidentes de trânsito desde 2004, conforme a AMC. Foram 193 vítimas em todo o ano. Motociclistas representaram mais da metade das mortes (51,8%).

Vítimas por acidentes de trânsito 2019 2020
Ocupantes de carros 9 15
Ocupantes de motocicletas 87 100
Ciclistas 21 16
Pedestres 80 62

Conter acidentes graves

Além disso, foram contabilizados 9.923 acidentes de janeiro a novembro do ano passado, número 43,6% menor que os 17.589 ocorridos no mesmo intervalo de 2019.

Em janeiro e fevereiro de 2021, foram registradas 30 mortes no trânsito de Fortaleza, sendo 20 no primeiro mês do ano. O órgão ressaltou que mantém as ações de fiscalização com foco nos principais fatores de risco e realiza comandos educativos de conscientização em ciclofaixas e em vias que tiveram a velocidade readequada.

Para a AMC, quanto menos acidentes de trânsito houver, menor será a sobrecarga nos hospitais, já pressionados pela assistência aos pacientes com Covid-19. Até a última quinta (13), a ocupação de leitos de UTI na Capital era de 90,7%, segundo a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

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