Em cada 10 internações no Ceará, 3 são por Covid-19

Situação foi observada no período entre 2 e 8 de maio. Atualmente, 386 pacientes infectados pelo novo coronavírus aguardam transferência para hospitais no Estado

Escrito por Thatiany Nascimento e Luana Severo,

Metro
No início do ano, entre 3 e 9 de janeiro, em cada 100 hospitalizações por causas diversas, seis eram de pacientes infectados pelo novo coronavírus.
Legenda: No início do ano, entre 3 e 9 de janeiro, em cada 100 hospitalizações por causas diversas, seis eram de pacientes infectados pelo novo coronavírus.
Foto: Thiago Gadelha

Na semana passada, em cada dez internações hospitalares no Ceará, três eram de pacientes com Covid-19. Nesse período, foram registradas, no total, 8,5 mil internações, sendo 2,6 mil (30,5%) em decorrência da doença, conforme o Integrasus, da Secretaria da Saúde (Sesa), no período entre 2 e 8 de maio.

No início deste ano, na semana epidemiológica correspondente ao período entre 3 e 9 de janeiro, em cada 100 hospitalizações por causas diversas, seis eram de pacientes infectados pelo novo coronavírus. A proporção de internações de pacientes com a doença cresceu gradualmente no decorrer das semanas seguintes até chegar ao patamar atual.

Cenário

A semana epidemiológica 15, do dia 11 ao dia 17 de abril, foi a que, neste ano, teve o maior número de pessoas internadas por motivos diversos no Ceará. Foram 9.057 pacientes no total. Já a semana 12, de 21 a 27 de março, foi a que registrou a maior proporção de internados com Covid-19, representando 33,61% do número total de internações no Estado. 

Conforme mostrado pelo Diário do Nordeste, apesar de representar mais de 30% das internações, o número de hospitalizações provocadas pela Covid-19 tem diminuído há pelo menos 27 dias. De 12 de abril a 9 de maio, referente às semanas epidemiológicas 15 a 18, a quantidade de pacientes internados com a infecção caiu de 3.038 para 2.631.

Embora ainda altos, os números de internações devem ser analisados cautelosamente porque o tempo de permanência hospitalar dos pacientes aumentou na segunda onda da pandemia, segundo o chefe de emergência do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e diretor da OTOclínica, Kalil Feitosa. “Hoje a gente ainda tem pacientes que foram internados no início de abril. Isso faz com que permaneçam números elevados de internação”, explica o médico. 

Leitos

De acordo com o Governo do Ceará, durante toda a pandemia, foram abertas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) exclusivas para tratar a Covid-19 em todas as regiões do Estado. A rede tem, atualmente, pelo menos 5,1 mil leitos exclusivos, sendo 3,8 mil de enfermaria e 1,3 mil de UTI. 

Contudo, hoje, ainda 386 pacientes aguardam transferência para hospitais. Desse total, 215 estão na fila por vaga em UTI e 171 em enfermaria. 139 desses pacientes esperam em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Cirurgias eletivas

Devido ao cenário atual de transmissibilidade alta do vírus e hospitais abarrotados de infectados, Kalil não acha que as internações para cirurgias eletivas devem ser retomadas logo. No entanto, ele entende que postergar esses procedimentos é desafiador para o sistema de saúde.

Gera uma dificuldade grande porque as outras doenças continuam a existir. Doenças graves: AVC, infarto, apendicite, cálculo, doenças vasculares crônicas. É desafiador manter a assistência num nível seguro”.
Kalil Feitosa
Chefe de emergência do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e diretor da OTOclínica

Com a garantia da permanência das estruturas montadas para atender exclusivamente pacientes com Covid-19, Kalil acredita que, no futuro, devem ser feitos mutirões para diminuir as filas das cirurgias eletivas.

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