Mortes por acidentes de trânsito em Fortaleza caem pela metade em 20 anos, mostra AMC

Segundo a Autarquia, ações orientadas por dados geolocalizados, melhoria da estrutura viária e abordagens educativas vêm colaborando para a cidade atingir metas de redução.

Legenda: Motociclistas ainda são as principais vítimas da cidade, demandando mais atenção dos órgãos de trânsito.
Foto: Fabiane de Paula

Dados divulgados pela Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania de Fortaleza (AMC), nesta sexta-feira (8), revelam que as mortes por acidentes de trânsito na Capital caíram pela metade entre janeiro e setembro de 2021 em relação ao mesmo período de 2001.

Nos primeiros nove meses de 2001, foram 280 vítimas dos sinistros, número 50% menor que as 140 neste ano. Nas últimas duas décadas, Fortaleza tem tido sucesso na aplicação de medidas para melhorar a segurança viária, tendo a meta de consolidar o sétimo ano consecutivo de queda.

Confira a série histórica:

“Esse resultado é reflexo de ações implementadas pela AMC, que busca garantir maior segurança viária, tendo como base o constante monitoramento de dados de acidentes na Cidade”, disse o prefeito Sarto Nogueira, em publicação nas redes sociais.

A Autarquia atribui a diminuição ao monitoramento geolocalizado dos bairros com maior índice de sinistros de trânsito; ações focadas na educação no trânsito; fiscalização preventiva, e expansão do número de vias com velocidade máxima permitida de 50 km/h.

Meta de redução

Na comparação entre os períodos, desde 2015, a Capital vivenciava quedas seguidas na quantidade de mortes. Porém, os primeiros nove meses de 2021 tiveram um pequeno aumento em relação a 2020: foram 140, contra 138 no ano passado.

Apesar disso, a gestão da AMC se mostra otimista de que, ao final deste ano, poderá ser comemorado o sétimo ciclo seguido de redução. A “meta” do órgão é que 2021 encerre com 176 mortes. O ano passado, primeiro da pandemia, teve 193.

Setembro menos violento

A Prefeitura também divulgou que 2021 teve o mês de setembro, considerado o “mês do trânsito”, com menos mortes por acidentes dos últimos 20 anos. Foram 10 óbitos nas vias da cidade, uma redução de 60% em relação à média histórica de 25 nesse mês.

A AMC aponta que a redução é registrada justamente no mês que costuma ser “o mais violento no trânsito da Capital”, além de ocorrer em meio à retomada do fluxo de veículos na cidade a partir das liberações autorizadas pelos decretos estaduais.

Porém, ainda permanecem desafios como a combinação de álcool e direção. Dos 1.941 testes de bafômetro realizados em abordagens, no mês passado, 12 foram positivos e em 147 houve recusa, o que também indica a ingestão de bebidas alcoólicas. 

Foco em motociclistas

Segundo levantamento do órgão, os condutores de motocicleta representaram metade das mortes em setembro (cinco). Os outros sinistros envolveram pedestres (três) e ocupantes de carro (dois). 

O prefeito Sarto Nogueira explicou que a AMC tem realizado diversas ações educativas e preventivas com foco nos motociclistas, incluindo um curso gratuito de pilotagem segura para estimular um comportamento de menor risco.

Caminho certo

A professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza, Camila Bandeira, aponta que a Capital tem avançado para garantir o conceito de Visão Zero na segurança viária, ou seja, não tolerando nenhuma morte no trânsito.

Contudo, a especialista explica que isso só é possível a partir de três fatores:

  1. O humano: reflete a capacidade de conduzir e manter cuidados na direção;
  2. A tecnologia veicular: evolui rapidamente com apetrechos como airbags, freios ABS e sistemas de estacionamento, mas também envolve a manutenção;
  3. A infraestrutura: o sistema viário em si, como tamanho e fluxo das vias e sinalização.

“À medida que a cidade vai reconhecendo e implantando novos sistemas, vai indicando ao cidadão o que é a prioridade. Historicamente, as vias foram pensadas só para os veículos, que sempre dominaram a pauta dos meios de transporte. Agora, estamos tentando inverter essa lógica, que é priorizar os mais frágeis”, lembra Camila.

A professora elogia a medida de redução da velocidade máxima de algumas vias, mas reforça que ela deve ser acompanhada por melhorias do desenho urbano, ações educativas e, se preciso, adoção de medidas punitivas.

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