Guia mostra as melhores chuvas de meteoros a serem observadas do Ceará em 2022; confira calendário

Astrônomo cearense participa da elaboração de calendário astronômico brasileiro para facilitar o acompanhamento de eventos astronômicos ao longo do ano

Escrito por Lucas Falconery, lucas.falconery@svm.com.br

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Legenda: Eventos foram classificados a partir de informações regionalizadas
Foto: Lauriston Trindade/Arquivo pessoal

Do Ceará se tem visão privilegiada para observação de eventos astronômicos, mas isso exige conhecimento sobre as melhores ocasiões para acompanhar os riscos coloridos no céu. Com isso em mente, pesquisadores reuniram informações de cerca de 600 mil registros de meteoros, analisados em 8 anos, para a elaboração do Guia para Chuvas de Meteoros Brasil.

Assim foram definidas as melhores chuvas de meteoros para observação em 2022 no território brasileiro (confira a lista e o PDF do guia completo abaixo). Diferentemente do que costuma ocorrer, os dados analisados para o ranking são nacionais.

Geralmente “essas informações são montadas no hemisfério norte e o restante do mundo traduz e adapta, mas essas chuvas de meteoros não são muito favoráveis de observação no Brasil”, como explica o astrônomo amador e um dos autores do Guia, Lauriston Trindade.

Na prática, os calendários astronômicos são adaptações de informações produzidas comumente nos Estados Unidos e na Europa, onde as condições para observação são diferentes no Brasil. “Então essa divergência de dados acaba gerando um certo descrédito na publicação”, frisa.

Um exemplo citado pelos pesquisadores acontece com a chuva de meteoros Perseidas, com cerca de 100 meteoros por hora quando vista da Europa, mas valor que cai para 20 se visto de São Paulo. No Rio Grande do Sul o evento nem mesmo é percebido.

Como forma de regionalizar as informações sobre chuvas de meteoros, os autores usaram estatísticas produzidas por mais de 100 estações de monitoramento distribuídas pelo País. Os eventos mais ativos nos últimos 8 anos foram listados pela equipe.

“A próxima boa chuva acontece nos dias 4 e 5 de maio, a Aquariids, formada por detritos do Cometa Halley e só isso já é um atrativo”, adianta Lauriston Trindade.

As informações analisadas são sobre a data de início e fim da presença dos meteoros, o pico de atividade, posição do radiante no céu, velocidade geocêntrica média dos meteoros e condições de visibilidade. Os melhores horários para ver as chuvas são após a meia-noite e o amanhancer. Confira:

1º - Os Aquariids do Delta do Sul (Southern δ-Aquariids)

Considerada pelos pesquisadores a melhor chuva de meteoros para observação no Brasil. Na noite estimada para o máximo de atividade a lua estará com pouco mais de 4% de iluminação em seu disco.

Em fase nova, a lua deve estar na constelação de Leão e, por isso, não vai interferir na observação dos meteoros. 

Atividade: 22 de julho a 17 de agosto; Máximo: 30 de julho.

2º - ETA Aquariids (η-Aquariids #031 ETA)

Chuva de meteoros relacionada ao cometa 1P/Halley e é “irmã” da Orionids. A intensa velocidade tem destaque e isso pode permitir a visualização de algumas trilhas persistentes.

Na noite estimada para o máximo de atividade a Lua está com 14% de seu disco iluminado, na fase nova e posicionada na constelação de Touro.

Atividade: 26 de abril – 27 de maio; Máximo: 4 de maio.

3º - Alfa Capricornídeos (Alpha Capricornids #001 CAP)

Esse fenômeno tem o foco dos meteoros em posição bastante elevada e facilidade de observação por estar inserida em um período do ano com baixa nebulosidade em grande parte do território nacional. 

O cometa 169P (NEAT) dá origem a chuva de meteoros, que devem aparecer de forma mais lenta propiciando uma maior duração e melhor visualização do evento.

Atividade: 16 de julho a 10 de agosto; Máximo: 30 de julho.

4º - Perseidas (Perseids #007 PER)

O foco está em posição ao norte do País e por isso a chuva de meteoros gera boa observação nos estados mais próximos à Linha do Equador, como é o caso do Ceará.

A chuva perseida acontece com uma característica bem marcante, como definem os pesquisadores: são meteoros longos e rápidos, cruzando grandes extensões do céu.

Assim, o evento tem maior duração e visibilidade. O fenômeno tem o cometa 109P (Swift-Tuttle) como corpo parental. 

Atividade: 1 de agosto a 17 de agosto; Máximo: 9 de agosto.

5º - Eta Eridanids (eta Eridanids #191 ERI)

A chuva de meteoros possui baixa taxa de meteoros, mas ano após ano se mostra muito estável na ocorrência. A posição do evento astronômico é favorável para os brasileiros.

Eta Eridanids
Legenda: Visão do topo do sistema solar com órbita média da chuva ETA
Foto: Bramon/Reprodução

A Eta Eridanids foi formada pelo cometa C/1852 K1 (Chacornac). Os meteoros alcançam alta velocidade, o que propicia que os mesmos tenham curta duração. No entanto, eles podem gerar trilhas persistentes.

Atividade: 30 de julho a 20 de agosto; Máximo: 4 de agosto.

6º - Geminids (Geminids #004 GEM)

A chuva de meteoros Geminids possui facilidade de observação por ser muito constante em suas aparições. Foi formada pelo asteroide 3200 Phaethon e os meteoros costumam ser de média velocidade.

Na noite projetada para o máximo de atividade a lua estará com pouco mais de 78% de iluminação em seu disco. A visualização do fenômeno pode ser reduzida já que a lua estará na fase cheia.

Atividade: 6 de dezembro a 15 de dezembro; Máximo: 13 de dezembro.

7º - Iota Aquarídeos Sul (Southern iota Aquarids #003 SIA)

Chuva de meteoros com constância nas taxas de ocorrência, mas é um evento menor. Não possui um corpo parental definido e os meteoros são de média velocidade.

Na noite projetada para o máximo de atividade a lua estará com pouco mais de 1% de iluminação em seu disco e não deve interferir na visualização dos meteoros. 

Atividade: 26 de julho a 16 de agosto; Máximo: 29 de julho

8º - delta Gruids #804 DGR

Chuva de meteoros descoberta pela Bramon e parte da lista oficial de centros astronômicos internacionais. Os meteoros possuem constância de taxas de ocorrência, mas é um evento de menor porte.

Não há um corpo parental definido e os meteoros são de média-alta velocidade. Isso faz com que seja necessário auxílio de alguém com experiência para melhor observação do fenômeno.

Atividade: 6 de dezembro a 14 de dezembro; Máximo: 13 de dezembro

9º - tau Cetids #598 TCT

Esse evento astronômico não possui corpo parental descoberto e os meteoros são notadamente rápidos capazes de permitir a visualização de algumas trilhas persistentes.

tau Cetids
Legenda: Visão de topo do sistema solar e órbita média da chuva TCT
Foto: Bramon/Reprodução

Na noite projetada para o máximo de atividade a lua estará com pouco mais de 52% de iluminação em seu disco, em fase cheia, e deve interferir de forma moderada na visualização dos meteoros. 

Atividade: 10 de julho a 4 de agosto; Máximo: 20 de julho.

10º - Xi2 Capricornids #623 XCS

O intervalo entre as aparições dos meteoros desta chuva de meteoros pode ser bastante longo, como indicam os pesquisadores. Ainda assim, a Xi2 Capricornids possui constância de taxas de ocorrência.

Esse é um evento formado pelo asteroide 2003 T12 e os meteoros são de média-baixa velocidade, com observações mais fáceis para pessoas com pouca experiência na atividade.

Na noite projetada para o máximo de atividade a lua estará com pouco mais de 64% de iluminação em seu disco. Em fase nova, não deve interferir na visualização dos meteoros.

Atividade: 7 de julho a 3 de agosto; Máximo: 19 de julho.

Características dos meteoros

O Diário do Nordeste teve acesso ao Guia para Chuvas de Meteoros Brasil e disponibiliza o material completo no link abaixo.

Os pesquisadores discorrem sobre o que as cores expressam sobre os meteoros, o surgimento dos nomes, as trilhas feitas e demais curiosidades astronômicas.

As chuvas de meteoros, como exemplifica Lauriston Trindade, são formadas a partir da fragmentação de cometas como Halley e 73P, que “quando foi se rompendo, foi deixando fragmentos do tamanho de um carro, que podem gerar um meteoro muito brilhoso”, destaca.

Mesmo assim, os fenômenos não representam nenhum tipo de risco. “A chances dos meteoros gerarem resíduos é baixíssima, são muitos pequenos, os maiores mesmo que consigam chegar ao solo podem ir para espaços vazios”, ressalta.