Entenda como o Ceará identifica a variante Ômicron e monitora o caminho entre a população

Monitoramento contribui para embasar estratégias de saúde no Estado, além de avaliar risco para a população; análise nos municípios está em andamento

Escrito por Lucas Falconery, lucas.falconery@svm.com.br

Metro
Lacen
Legenda: Equipe analisa amostras colhidas também em pontos estratégicos para monitorar avanço da doença
Foto: Fátima Holanda/Sesa

Entre a confirmação dos primeiros casos da variante Ômicron, no dia 23 de dezembro, e a sinalização de que esta mutação do coronavírus já prevalece no Ceará, 5 de janeiro, foram apenas duas semanas. No Estado, inclusive, o caminho da doença - da inserção à transmissão nos municípios - é traçado por lentes de pesquisadores com cerca de 700 mil testes RT-PCR analisados desde o início da pandemia.

 No contexto de transmissão simultânea de vírus da Covid-19 e da gripe, os casos de influenza também são monitorados no Ceará.

Esse acompanhamento acontece no Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen), com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Como estratégia, os Centros de Testagem para Viajantes (CTVs) funcionam como um filtro para a identificação da entrada de mutações no Estado.

os pontos de testagens nas cidades mostram como a mutação confirmada se espalha no Ceará. “Na última semana, todos os municípios, de uma forma geral, têm apresentado um aumento na positividade e isso se reflete com a entrada da Ômicron”, analisa Karene Cavalcante, farmacêutica da vigilância genômica no Lacen.

A entrada da variante foi detectada, inicialmente, em duas passageiras do Aeroporto Internacional de Fortaleza. “Nos primeiros casos a gente fez uma busca ativa nos CTVs, lá a gente vê o que está entrando no Estado e tudo começa no teste RT-PCR”, explica sobre o começo da investigação.

Na mesma ocasião, outra viajante foi atendida no drive-thru do Shopping RioMar Kennedy com teste positivo de infecção pela Ômicron. Para analisar com maior detalhamento os casos de coronavírus, o Estado recebeu um aparelho sequenciador do Ministério da Saúde.

“A partir do resultado a gente faz o teste de inferência molecular para saber a variante e a partir desse testes a gente encaminha a amostra para o sequenciamento”, detalha Karene Cavalcante sobre o procedimento de vigilância da variante.

Nós não temos só os centros de testagem dos viajantes, para acompanhar a introdução de variantes, mas a gente tem o trabalho de monitorar a dispersão no Estado
Karene Cavalcante
Farmacêutica no Lacen

Diferente dos exames para apenas identificar a contaminação viral, com resultado máximo em 48h, o sequenciamento acontece com objetivo de aprofundar o conhecimento sobre as características do vírus.

“A análise é um pouco mais acurada, não é um teste molecular de rotina e por isso necessita de um tempo maior, porque tem uma abordagem mais ampla”, explica. O impacto da variante na rede de saúde e na proteção oferecida pelas vacinas é analisada em conjunto com epidemiologistas.

Os registros da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), com última atualização na terça-feira (4), mostram a confirmação de 40 pacientes com a variante Ômicron, sendo 35 residentes do Estado.

Os pacientes são, principalmente, de Fortaleza com 30 casos, Caucaia, Baturité, Tianguá, Russas e Jaguaribe, com um caso em cada cidade. No entanto, a equipe do Lacen realiza levantamento ao longo da semana para detalhar em atualização o cenário da variante no Ceará.

Velocidade de transmissão

O curto intervalo de tempo desde a confirmação da presença da variante Ômicron também foi suficiente para Fortaleza ter transmissão comunitária da doença, ou seja, a infecção acontece entre não viajantes.

“O que a gente vê é aumento na positividade de uma forma geral e muito rápido. Há menos de sete dias, tinha um outro perfil de detecção”, lembra Karene Cavalcante.

Equipamento
Legenda: Equipamento repassado pelo Ministério da Saúde faz análise detalhada dos vírus analisados
Foto: Fátima Holanda/Sesa

Cenário avaliado entre o período de 1º a 4 de dezembro de 2021 em comparação com recorte deste mês de janeiro, como divulgado pelo governador Camilo Santana e o secretário estadual da Saúde Marcos Gadelha na quinta-feira (5), mostra o aumento citado. 

  • Centro de Testagens do Aeroporto de Fortaleza: a positividade saltou de 0,14% para mais de 11%.
  • Centro de Testagens do Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé: a positividade saltou de 1% para cerca de 20%. 

“Desde o início da pandemia, a vigilância começa a partir do teste RT-PCR e hoje estamos em 700 mil exames analisados para detecção do SARS-Cov-2. A gente realiza a análise com o intuito de monitorar as mutações para entender melhor os padrões”, explica a farmacêutica

Casos de gripes

O Lacen também funciona como uma unidade sentinela da rede criada pelo Governo Federal em 2000. Com isso, é feito monitoramento dos vírus causadores de doenças respiratórias, como as influenzas.

“O Lacen realiza a vigilância de síndromes gripais e atendemos os casos já padronizados em um programa estabelecido”, acrescenta Karene Cavalcante. O Estado enfrenta também a transmissão da variante do tipo H3N2 da influenza.

Equipe
Legenda: Equipe atua em conjunto com epidemiologistas para entender cenário epidemiológico
Foto: Fátima Holanda/Sesa

As unidades de saúde realizam a captação dos casos de síndromes gripais para conhecimento sobre os tipos de vírus circulantes na região. São coletadas amostras clínicas encaminhadas aos laboratórios.

“Fazemos a avaliação do paciente dentro de uma análise de 17 patógenos virais e 3 bactérias. Nossa cobertura é muito ampla das síndromes gripais”, detalha sobre o trabalho realizado no Lacen.