Da construção de casas à adaptação aos efeitos da Covid na cidade: os desafios prioritários de Sarto

O SVM ouviu especialistas e moradores da Capital e apresenta o que eles avaliam como ações inadiáveis para o novo prefeito em áreas estruturais

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Legenda: Novo prefeito terá de apresentar soluções efetivas na complexa tarefa de gerir uma cidade, ainda desigual, e com status de metrópole habitada por cerca de 2,6 milhões de pessoas
Foto: Fabiane de Paula

Se 2020 tem sido um ano extremamente difícil, tanto para os sistemas de saúde, como para os cenários social, econômico, emocional e político, nos mais diversos territórios do Brasil, a projeção é que os próximos anos continuem afetados, justamente, pelos efeitos deste período que ainda não terminou. Em 1º de janeiro, as prefeituras recebem os gestores escolhidos em meio à maior crise sanitária do século no Brasil.

Em Fortaleza, começa uma nova administração, na qual o prefeito eleito, Sarto Nogueira (PDT), terá pela frente desafios históricos e complexos, que se iniciam justamente na tarefa de gerir a metrópole habitada por cerca de 2,6 milhões de pessoas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - e com isso ter que equacionar as persistentes desigualdades.

Ao SVM, pesquisadores e moradores da cidade apresentaram o que avaliam ser inadiável na educação, saúde, habitação, segurança e mobilidade. Ao ouvi-los, a busca era por tentar captar o que e quais são as maiores urgências relatadas por quem habita e pesquisa a 5ª cidade mais populosa do país.

As demandas não pararam este ano. E, se em 2020, algumas pareciam congeladas, nos períodos seguintes, devem recrudescer com expressiva força. E ainda em um contexto de agravamento da queda da renda de parcela significativa dos moradores, sobretudo, pobres. 

Na habitação, é preciso resolver, ou ao menos minimizar, o déficit habitacional que, em 2019, era estimado na falta de 130 mil moradias, e assegurar regularização fundiária a outras centenas de famílias. São lacunas que amplificam desigualdades.

Na educação, buscar estratégias para continuar os processos de aprendizado no ensino fundamental, com mais de 230 mil alunos e 12 mil professores envolvidos. O novo gestor iniciará um ano letivo ainda com incertezas sobre qual o modelo é mais seguro e adequado para as aulas. Ampliar o acesso às creches é outra grande missão. 

Na saúde, é necessário garantir atendimento aos pacientes com Covid-19 e seguir priorizando o combate ao novo vírus, mas também dar assistência àqueles acometidos por arboviroses, doenças crônicas e às vítimas do trânsito e da violência.

Ampliar os horizontes das ações de segurança pública na esfera municipal, ciente que inúmeros territórios são devastados por facções criminosas, é outra ação indispensável. Isso se conecta diretamente aos anseios por melhorias sociais. Na mobilidade, uma das cobranças é o retorno à ênfase na qualificação do transporte público, usado por 540 mil usuários cotidianamente. 

Passada a disputa eleitoral, o momento é de foco nas urgências que a cidade guarda e expõe no dia a dia, nos 121 bairros. Isso, em um novo ciclo da gestão pública, no qual as previsões não são orçamentos públicos tão vigorosos. Os gargalos são conhecidos. Muitos deles apenas se acentuaram no ano de exceções e privações.

Apesar do reconhecimento do grau de dificuldade dos problemas, avaliam os entrevistados, o que se espera do novo gestor municipal são decisões assertivas e ações práticas que geram ou, ao menos, iniciam mudanças concretas. E que elas não tardem.

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