Manter combate à Covid e, em paralelo, garantir acesso a consultas e exames são prioridades na saúde

Especialistas da área da saúde, ouvidos pelo SVM, apontam quais as principais demandas do setor na Capital que devem ser receber atenção imediata do próximo prefeito

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Legenda: Se até 2020, a saúde era exatamente um dos pontos mais carentes de atenção, nesse momento essa demanda tem se tornado ainda mais evidente
Foto: José Leomar

Uma dimensão central na vida de qualquer pessoa e uma área estruturante na gestão pública. Se, até 2020, a saúde era exatamente o ponto permanentemente carente de atenção, esse ano essa necessidade se tornou ainda mais evidente. Em Fortaleza, onde até o momento,  mais 68 mil pessoas já foram infectadas por coronavírus e 3,9 mil perderam a vida devido à doença, gargalos históricos persistem.

Especialistas ouvidos pelo SVM, afirmam que, a missão é complexa e, ao novo prefeito caberá, dentre outros, fortalecer o acesso dos pacientes à atenção primária nos 116 postos de saúde da Capital, bem como aprimorar a atuação dos 10 hospitais municipais, isso em um contexto de subfinanciamento do SUS.  

Em relação à continuidade do combate à pandemia, explica o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva na Uece, Antonio Rodrigues Ferreira Júnior, “o novo gestor precisará trabalhar para ampliar as pactuações e negociações com os outros entes federativos, União e Estado, bem como com seus pares nos municípios, visto que o desafio exige enfrentamento a partir destas parcerias”. 

Ele reforça que a organização do sistema municipal de saúde para o atendimento a pacientes com Covid continuará sendo prioridade, mas, em paralelo, outras patologias também exigem atenção.

“Há muitos problemas que ampliam a demanda no cotidiano como as arboviroses e as doenças crônicas que afetam sobremaneira nossa população. Portanto, a organização da rede, com definição clara do papel de cada equipamento de saúde deve ser colocada como basilar na estruturação da área da saúde municipal”.

Estruturação de atendimentos especializados

Para além da pandemia, uma das necessidade de melhoria é o acesso a exames e atendimentos especializados. Nesse caso, diz Antônio, o novo gestor precisará “aproveitar o desenho organizativo do território para tentar descentralizar este tipo de atendimento. A atenção secundária é um gargalo do sistema de saúde nos municípios do Ceará e exige investimento para ampliação da oferta destes serviços, considerando que também aparecem no imaginário da população como uma das maiores dificuldades em saúde, devido à demora para realização destes exames a partir das filas virtuais”. 

Ele ressalta que há ainda necessidade de maior integração entre atenção primária e secundária. “A atenção primária deve ser priorizada como organizadora do sistema, considerando que a maior parte das demandas de exames e consultas especializadas surge nela e é para ela que a população deveria retornar para continuidade do acompanhamento”.

A doutora em Saúde Coletiva e professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Saúde também da Uece, Maria Helena Lima Sousa, reforça que, no passado recente “houve uma expansão da média complexidade com a criação das UPAS, mas ainda de forma tímida, comparada com as necessidades de saúde da população cearense”.

De acordo com ela, expandir a estrutura secundária é um gargalo no SUS, sobretudo, em um momento de restrições orçamentárias. Para ela, uma das missões do novo prefeito é implantar “ações intersetoriais articuladas com o governo estadual e federal para tentar, ao menos, minimizar os efeitos desta crise”.

A professora também destaca que o novo prefeito irá se deparar com alguns entraves, como:

  • O subfinanciamento do SUS, agravado pela Emenda Constitucional 95/2016 que congelou os recursos para saúde por 20 anos; 
  • A falta de apoio logístico do Governo Federal para estados e municípios na pandemia,
  • E o agravamento da crise econômica e política;

Ela indica que, “possivelmente, o novo gestor terá que apelar para empréstimos externos, a exemplo do atual prefeito na primeira onda da Covid-19, para o enfrentamento da segunda onda da Covid-19. Isso irá aumentar o endividamento externo e comprometer recursos futuros” e reforça “será necessária muita sensibilidade social da equipe, competência técnica e ouvidos bem atentos para auscultar os anseios populares e minimizar os efeitos da pandemia”. 

 

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