Ceará tem 481 pacientes com Covid-19 à espera de leito de UTI

Só em Fortaleza, são 259 pessoas aguardando vagas em hospitais

Pacientes precisam de leitos Covid
Legenda: A grande quantidade de pacientes chegando aos hospitais tem ultrapassado a capacidade
Foto: Helene Santos

O Ceará tem hoje 481 pacientes com Covid-19 à espera de uma vaga em leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados estão na plataforma IntegraSus, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e foram coletados na manhã desta sexta-feira (19).

Ao todo, 846 pessoas com suspeita ou confirmação da doença esperam uma vaga em hospitais do Ceará. A superlotação nas unidades diante à pandemia vem fazendo com que centenas de pacientes fiquem na fila de espera também por leitos de enfermaria. Hoje, são 365 pessoas sem terem local para internação.

Só em Fortaleza, 259 esperas são em Fortaleza (188 UTI e 71 enfermaria). A maior parte dos solicitantes são pacientes do sexo masculino, de acordo com a Sesa.

A Pasta destaca que só das 00h às 7h15 desta sexta-feira, entraram no sistema 47 novas solicitações de leitos. São 36 do tipo enfermaria e 11 UTIs. Todos os pedidos são referentes a unidades da rede de atendimento pública, por meio da regulação de leitos do Estado.

Nos primeiros 17 dias de fevereiro, foram registrados 675 leitos de UTI nos hospitais públicos ou com coparticipação no Ceará. Ao todo, 451 pedidos foram atendidos. Já em igual período deste mês de março, foram 1.811 pedidos, ou seja quase que triplicou.

Internações mais longas

Os boletins da Sesa vêm indicando que as internações por Covid nesta segunda onda no Ceará são 73% mais longas.  O tempo médio de permanência em leitos subiu de 7,1 dias em maio de 2020 para 12,3 dias nos últimos dias deste mês de março.

Lisandra Serra Damasceno, infectologista do Hospital São José, explica que um dos fatores que contribuem para o prolongamento da permanência nos leitos é que há mais pacientes jovens hospitalizados, “com reserva orgânica para combater” a doença melhor do que os idosos, que costumam chegar ao hospital com muitos órgãos já comprometidos pela infecção.

O médico intensivista Fábio Lacerda acrescenta que "se o paciente demora mais tempo para se recuperar, o leito passa mais tempo ocupado" interferindo na rotatividade.

Ocupação

Às 11h04 desta sexta-feira (19), as estatísticas apontavam que a taxa de ocupação nas UTIs no Ceará era 93,72% e nas enfermarias 82,74%.

Uma das unidades que já é considerada como 100% lotada, em ambos os tipos de leitos, é o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), atuando no seu máximo de ocupação. Já o Leonardo da Vinci está com quase 93% da Unidade de Terapia Intensiva ocupada. 

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