Aglomerações e eventos são alvo da Operação Fim de Ano Seguro

Festas de fim de ano têm atraído centenas de pessoas a lojas, comércios de rua e estabelecimentos de lazer. Agentes de fiscalização reforçam medidas de prevenção contra o coronavírus diante do crescimento de casos e mortes

Legenda: Tradicional Feira da Rua José Avelino, no Centro, registrou grande movimentação no sábado
Foto: José Leomar

Aglomerações em centros comerciais estimuladas por compras de fim de ano. Confraternizações celebrando o encerramento de um ano tão complicado. Ceará com aumento do número de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus em 19 das 22 áreas de saúde, nas últimas semanas. Os fenômenos se relacionam e põem órgãos de fiscalização em alerta para evitar um novo crescimento da contaminação no Ceará. Nesse sábado (12), a Operação Fim de Ano Seguro começou para fazer cumprir as medidas de prevenção contra a doença.

Ainda na noite de sexta (11), em Fortaleza, a Vigilância Sanitária do Estado fiscalizou oito estabelecimentos e autuou quatro deles - nos bairros Praia de Iracema, Cambeba, José de Alencar e Papicu - por não cumprirem as normas do decreto estadual. Já uma festa com 700 pessoas foi dispersada no Cambeba por agentes da Polícia Militar e da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis). O "pagode no sigilo" já havia sido encerrado uma vez, em agosto.

Já na manhã de sábado, fiscais da Agência também compareceram logo cedo à Feira da José Avelino, tradicional ponto de vendas do Centro da Capital, que recebia compradores desde a madrugada. As ruas do entorno ficaram lotadas, com aglomeração em corredores estreitos, em alguns casos registrando pessoas sem uso de máscara ou com o peça sob o queixo.

'Cenário perigoso'

A revendedora de roupas Maria das Graças Lima da Silva, que veio do Maranhão, reconhece que o cenário é "perigoso". "Quase não saio do Buraco da Gia porque tem muita gente. Mas a gente precisa trabalhar, é um risco que a gente corre. Aqui estamos coladas umas nas outras", afirma.

Para o ambulante José Geraldo Lopes, a fiscalização deveria ser mais frequente e focar mais na prevenção, e não apenas na organização do espaço. "Passei seis meses em casa, tô com a conta de energia atrasada. Como pago sem trabalhar? A gente depende disso aqui, mesmo com medo. Agorinha um espirrou aqui perto de mim, sem máscara, aí me afastei", preocupa-se.

A secretária de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida, reforça que o Ceará passa por um "aumento persistente de casos" e um recente aumento de óbitos, sobretudo em Fortaleza. "À medida que o vírus acomete a população mais jovem, começa a ter reflexo na mortalidade entre mais idosos. Nesse momento, é importante manter o distanciamento, usar máscara e proteger as pessoas mais vulneráveis", reforça.

Além da Agefis, segundo a Sesa, a Operação Fim de Ano Seguro será desenvolvida em parceria com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Ministério Público do Estado (MPCE) e vigilâncias sanitárias municipais. Desde o início da pandemia, a Vigilância Sanitária Estadual já realizou 8.833 fiscalizações, autuando 118 estabelecimentos com advertências, multas e interdições.

No caso de Fortaleza, serão fiscalizados eventos em diferentes áreas, a partir do histórico e georreferenciamento de áreas onde existem mais registros de aglomerações. As abordagens devem verificar o uso de máscara, o distanciamento entre pessoas, o excesso de capacidade e o cumprimento do horário permitido de funcionamento.

"Essa ação é muito importante, considerando o aumento recente de festividades, aglomerações e do número de denúncias de eventos onde as pessoas estão aglomeradas e sem máscara, como em shoppings, restaurantes e praças. Esses eventos são caracterizados muitas vezes como superdisseminadores da Covid-19", lembra a técnica da Vigilância Sanitária da Sesa, Jane Cris Cunha.

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