30 internos adoecem em presídio, diz secretário de Saúde; 11 são internados no Hospital São José

Além de anemia, os presos apresentam lesões no corpo e gengiva; Sintomas podem ser associados à questão nutricional

Legenda: Secretaria da Saúde realizou visita técnica
Foto: Diário do Nordeste

30 internos do Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne (Cepis), em Itaitinga, apresentam quadro clínico similar com anemia e lesões na pele. Alguns, também possuem manchas nas gengivas. A informação foi confirmada pelo secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins, o doutor Cabeto. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não confirma o número. Dos internos, 11 foram encaminhados para o Hospital São José, em Fortaleza, para tratamento de um possível quadro infeccioso, conforme a SAP e a Secretaria da Saúde.  Duas mortes, sem confirmação de ligação com os sintomas, foram registradas.

Os casos foram documentados por profissionais da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) após visita técnica nesta quinta-feira (5) quando foi dada início à investigação. Foram observadas as condições das instalações, da água e de outros fatores que podem estar relacionados à doença, como explica o secretário da saúde. “Não vi ainda os casos pessoalmente. Fizeram a visita ontem e vão me passar os relatórios para que eu possa emitir uma opinião mais profissional”, acrescenta.

De acordo com um profissional do Hospital São José, que esteve em contato com os pacientes vindos da unidade prisional, mesmo que o diagnóstico ainda não tenha sido finalizado, todos os internos estão com grande deficiência de vitaminas C e D. Ele acrescentou que a doença não deve ser infecciosa, ou transmissível, mas pode se relacionada a questões nutricionais.

Nós estamos com quatro biópsias, acredito que no começo da semana teremos resultados. Uma coisa nós sabemos: eles têm uma dieta extremamente pobre de vitamina C. Eles não ingerem nada de frutas cítricas ou uma verdura que possa suprir. E eles também têm deficiência de vitamina D, não pegam sol

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e a Sesa informaram, por nota, que pacientes estão sob observação e aguardam os resultados de uma série de exames para diagnóstico preciso do caso. “Não é possível associar os casos de óbito, registrados na unidade prisional, à suposta infecção”, pontuam as pastas. A SAP informou, ainda, que todos os internos e internas do sistema prisional cearense possuem quatro refeições diárias, e o alimento servido é orientado por nutricionistas e fiscalizados por equipes de controle interno. 

Conforme a Administração Penitenciária, o banho de sol “é cumprido com regularidade e rotina, assim como prevê a Lei de Execução Penal. Além disso, a Secretaria comunica que disponibiliza, com suas equipes próprias, uma média de 6 mil atendimentos médicos mensais em todo o sistema prisional do Estado”.

Superlotação

Na Cepis, estão 2.718 internos mesmo com capacidade máxima de 1.016 encarcerados. Esse valor corresponde ao total de 267.51% do potencial da unidade prisional, com base nos dados de dezembro da SAP. Perguntada sobre a  superlotação da unidade, a pasta estadual nãorespondeu. “Infelizmente a superlotação está em uma condição estrutural do sistema. A entrada do preso tem sido frequente e praticamente todos os dias os juízes decretam prisões preventivas”, comenta Cláudio Justa, membro do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará (Copen).

Cláudio acrescenta que as superlotações nas unidades prisionais do Ceará se agravaram há cerca de dois anos porque “antes nós tínhamos 113 cadeias públicas no Interior que foram desativadas”, quando houve o remanejamento para cadeias em Itaitinga, Pacatuba e Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em Sobral e Juazeiro do Norte. “Nós temos então como consequência disso um comprometimento da gestão dos equipamentos. Quanto maior, e quanto mais superlotado, mais difícil é o controle disciplinar”, conclui.

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