14 primeiros dias de abril têm alta de 40,6% nos óbitos por Covid-19 em UPAs do Ceará

Comparação é feita com os 14 primeiros dias de março

Só nos primeiros 14 dias de abril, 322 pessoas morreram por Covid-19 em UPAs do Ceará.
Legenda: Só nos primeiros 14 dias de abril, 322 pessoas morreram por Covid-19 em UPAs do Ceará.
Foto: Helene Santos

Nos 14 primeiros dias de abril, 322 pessoas morreram em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Ceará em decorrência da Covid-19. Isso é 40,6% mais do que o acumulado de óbitos nas unidades um mês antes (229), nos primeiros 14 dias de março, segundo a plataforma IntegraSUS até às 13h05 desta quarta-feira (14).

Até então, neste mês de abril, o maior acumulado diário de mortes pela infecção nas UPAs aconteceu exatamente há uma semana, com 29 óbitos registrados só no dia 8. 

Além dos óbitos, o número de atendimentos por síndrome gripal nas UPAs de Fortaleza, especificamente, também tem crescido nesta segunda onda da pandemia, saindo de um total de 12.995 em janeiro para 19.409 em março, também conforme o IntegraSUS. Porém, apesar do número alto de atendimentos, os gráficos apresentam uma tendência de estabilidade

Comparando os 14 primeiros dias do mês passado com o mesmo período deste mês, houve, inclusive, uma queda sutil nos dados, saindo de 9.117 atendimentos para 8.912.

O biólogo e epidemiologista Luciano Pamplona explica que essa tendência de estabilidade é o segundo resultado observado do lockdown que foi instaurado no Estado — com ênfase em Fortaleza — entre o início de março e o último domingo (11).

Um mês atrás, em Fortaleza, mais de 70% dos exames feitos resultavam positivo para a Covid-19. Hoje, isso varia entre 30% e 40%, na rede como um todo. Infelizmente, o número de atendimentos [nas UPAs] ainda está alto, mas, quando a gente compara esses 14 dias de abril com 14 dias de março, já há uma pequena redução”, observa Pamplona.
Luciano Pamplona
Biólogo e epidemiologista

A tendência, segundo ele, é de que a busca por atendimento continue caindo e, na sequência, haja, também, uma diminuição na demanda por internação e nas taxas de óbitos. “É preciso ter uma sequência lógica que, infelizmente, vai levar de uma semana a 15 dias para cada indicador desse”, ensina o epidemiologista.

Redução da gravidade dos novos casos

Outro indicador importante sobre a pandemia é o da gravidade dos pacientes quando dão entrada nas UPAs. Segundo o IntegraSUS, dos 9.117 pacientes atendidos nos primeiros 14 dias de março, 3.038 receberam pulseiras laranjas e, 320, pulseiras vermelhas. Já nos primeiros 14 dias de abril, das 8.912 pessoas que recorreram às unidades para atendimento por síndrome gripal, 2.883 foram classificadas no risco “laranja” e 171 no risco “vermelho”.

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