Saiba como está a fila por leitos de UTI Covid por região de saúde no Ceará

Mais da metade dos pacientes que aguardam transferências do tipo no Estado são da região de Fortaleza

Legenda: Nesta terça, mais de 380 pacientes aguardavam transferências para UTIs Covid na Região de Fortaleza
Foto: Agência Diário/José Leomar

Mesmo com a flexibilização do decreto de isolamento social, a partir do qual foi permitida a retomada parcial de atividades não essenciais, continua alto o número de pessoas diagnosticadas com Covid-19 que aguardam vagas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Ceará. Às 13h33 desta segunda-feira (12), havia 576 pacientes à espera de um leito do tipo, segundo dados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).  

Epidemiologista e professor na Universidade Federal do Ceará (UFC), Luciano Pamplona argumenta que, apesar da tendência de queda no número de casos de Covid-19 no território cearense, a resposta na ocupação de leitos UTI é mais lenta.  

Uma das justificativas é que existem leitos para atender a diferentes demandas de pacientes, sejam adultos, crianças ou gestantes, por exemplo. Por isso, nem sempre há leito disponível para determinado público quando este necessita.  

Outra explicação, pontua, é que o tempo de permanência da população mais jovem nos leitos hospitalares “é muito alto”. Consequentemente, a rotatividade no ambiente hospitalar é mais lenta. Boletins da Sesa corroboram que as internações por Covid na segunda onda estão 73% mais longas que na primeira. 

Pamplona estima que são necessárias cerca de duas semanas para traçar uma avaliação mais precisa dos reais efeitos da suspensão do lockdown. “Entre pegar a doença, transmiti-la e precisar do leito de UTI, são 10 a 15 dias de intervalo. É na segunda semana que o paciente fica mais grave e precisa de internação. Então, a gente vai precisar [desse tempo] para ver isso”. 

Isolamento rígido desrespeitado 

Para o especialista, é provável que a suspensão do lockdown não exerça uma pressão “tão grande” na rede assistencial de saúde, tendo em vista que a taxa de isolamento social no Ceará em 2021 foi menor ainda do que aquela registrada no lockdown de 2020 - também considerada baixa. 

“A gente nem pode achar que o lockdown não funciona porque o governador decretou, mas na prática nunca foi executado [pela maioria da população] da forma devida”. 

Transmissão em queda 

Mesmo nos municípios do Interior, cujas redes de saúde são normalmente mais frágeis, o fim do isolamento rígido não deve gerar efeitos preocupantes. 

“A impressão que temos hoje é que depois que a transmissão começa a diminuir, você pode flexibilizar com responsabilidade que não vai voltar a aumentar mais. Precisaria de outro pico, de uma eleição ou de um final de ano de novo”, enumera Pamplona, citando como referência a curva epidemiológica de 2020. “De forma sazonal, tudo indica que a gente vai diminuir a transmissão da doença”. 

Legenda: Ceará registra taxas de ocupação em UTIs acima de 90%
Foto: Agência Diário/Camila Lima

Região de Saúde de Fortaleza tem mais da metade da demanda

Dos 576 pacientes que aguardam transferência para UTIs no Ceará, 383, ou 66,4%, são da região de Saúde de Fortaleza. Outros 221 – de 360 em todo o Estado – esperam por vagas em enfermarias, conforme dados coletados na tarde desta segunda.   

Com taxa de ocupação de leitos UTI de 93,02%, a região reúne 44 municípios, dentre eles Caucaia, Eusébio, Maranguape e a própria Capital cearense.  

Na lista do IntegraSUS, há 38 unidades de saúde na região que atendem pacientes com Covid. Destas, apenas 29 possuem leitos de UTI ativos, sendo um dos principais o Hospital Leonardo da Vinci. 

Sobral é a segunda região com maior espera 

Registrando taxas de ocupação de 96,26% em UTIs e de 78,18% em enfermarias, a região de Saúde Sobral é a segunda do Estado a concentrar o maior número de pacientes com Covid que aguardam por um leito de Unidade de Terapia Intensiva. Na tarde hoje, 102 pessoas aguardavam transferências. 

Além do município homônimo, a Região de Saúde de Sobral congrega outros 54 municípios, como Massapê, Tianguá, Jijoca de Jericoacoara e Granja.  

O IntegraSUS lista 14 unidades de saúde na região que atendem pacientes com Covid. Destes, apenas seis possuem leitos de UTI ativos, ficando a maioria no Hospital Regional Norte (HRN).  

Ocupação em UTIs chega a 100% no Sertão Central 

Na tarde desta segunda (12), a Região de Saúde Sertão Central registrava taxa de ocupação de 100% na UTIs Covid e de 69,61% em enfermarias. 27 pacientes com Covid aguardavam vagas em UTI, e 44 em enfermarias.  

Ao todo, nove unidades de saúde realizam atendimentos direcionados à doença, mas apenas duas contam com leitos de UTI ativos. São o Hospital Regional do Sertão Central e o Hospital e Maternidade Regional São Francisco. A região concentra 20 municípios, dentre eles Canindé, Madalena, Quixeramobim e Solonópole. 

45 aguardam UTI na Região Litoral Leste/Jaguaribe  

Jaguaribe, Aracati e Limoeiro do Norte estão entre os 20 municípios que compõem a Região de Saúde Litoral Leste/Jaguaribe. Na tarde de hoje, 45 pessoas aguardavam transferências para leitos de UTI e 22 para leitos de enfermaria, totalizando 67 leitos demandados. 

Com taxa de ocupação de 73,08% em UTIs Covid e 57,87% em enfermarias, a região conta com 15 unidades de saúde voltadas para atendimento da doença. Destas, duas possuem leitos ativos de UTI: o Hospital São Raimundo e o Hospital e Maternidade Santa Luísa de Marillac.  

Cariri tem a menor demanda por leitos

Embora reúna 45 municípios, à frente até mesmo de Fortaleza, Cariri é a Região de Saúde a concentrar menor demanda por leitos de UTI Covid. Dados coletados na plataforma IntegraSUS, no início da tarde desta segunda, revelam que somente 19 pacientes da Região aguardavam transferências para UTIs. Outros 29, estavam à espera de leitos em enfermarias. Das 21 unidades de saúde listadas pelo IntegraSUS para tratamento da Covid, 10 possuem leitos de Covid ativos. A taxa de ocupação em UTIs na região chegou a 93,9% e a de enfermarias a 53,12%. 

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