adoção de concessões

Setor produtivo vê benefícios para retomada do crescimento

Pontos positivos são elencados pelas lideranças empresariais, que aguardam bons reflexos no mercado

Para André Montenegro, presidente do Sinduscon-CE, as concessões promovem ganhos tanto para o Estado, com o fôlego para alavancar investimentos, como para as empresas, que vão fomentar serviços ( Foto: Alex Costa / Natinho Rodrigues )
00:00 · 20.05.2017 / atualizado às 03:20

A estratégia de governos para obter recursos através de concessões de equipamentos públicos à iniciativa privada é elogiada pelos principais expoentes do setor produtivo do Estado. A ampliação dos investimentos nesses ativos, oriundos do capital privado, é vista como iniciativa fundamental para a retomada do crescimento econômico do País e também do Ceará.

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Na avaliação do presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Heitor Studart, a necessidade de melhorias na infraestrutura - em um cenário de baixa capacidade de investimento pelo poder público - foi o que motivou a movimentação em prol de apoio e investimentos da iniciativa privada.

Envolvimento

"Esse é um programa que a iniciativa privada, o setor industrial, tomou a frente. Em virtude da falta de investimentos do governo, da falta de capacidade de investimento, o setor industrial chegou à conclusão de tomar a frente e fazer o que o País precisa de infraestrutura, por estarmos vivendo um período de estagnação", aponta o dirigente.

Studart afirma que há um movimento encabeçado pela Fiec que tem ditado o ritmo da busca por apoiadores financeiros dos equipamentos públicos.

"Estamos há dois anos sob determinação do presidente Beto Studart, produzindo no núcleo um programa de parcerias para atrair investimento privado no setor público. Em função de nossa infraestrutura estar defasada, está implicando na falta de movimentação econômica, causando transtornos ao Estado na geração de empregos. O Brasil, de 2002 para cá, reduziu drasticamente sua capacidade de investir em infraestrutura. Entre os Brics, é o País que menos investe. Isso nos deixa para trás, em termos de competitividade, a nível global", explica.

Dever de casa

"Estamos fazendo o dever de casa, encaminhando reivindicações diretamente ao nível federal, Casa Civil, Presidência, para deflagrar alguns processos inadiáveis do Estado. Envolve eixos modais rodoviários, ferroviários, aeroportuários, portuários, mobilidade urbana e saneamento, fundamentais para o desenvolvimento. Sem isso, vivemos uma estagnação. Como o governo federal não tem programa de País para desenvolvimento, o setor privado está mobilizado para implantar a nível nacional, elevando as reivindicações do setor industrial", completou.

Pontos positivos

No mesmo tom, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, enumerou os pontos positivos da nova política de captação de apoio financeiro.

"Todo mundo ganha. O Estado, com fôlego para investimentos nesses setores. Ganham as empresas, pois vão fomentar serviços para ela (concessão), já que a capacidade de investimento do governo está debilitada, devido à crise. Então, a ideia é fomentar projetos, ir atrás de recursos, para que empresas, consórcios, possam participar".

Montenegro, contudo, também enumerou o que ele considera pontos a melhorar nos processos de concessão, principalmente por conta das especificidades do modelo político brasileiro, dado à burocracia.

"Quais os gargalos? Caímos no problema da grande regulamentação. No nosso País, estamos tão regulamentados que existe lei até para escrever com a mão direita e a mão esquerda. Precisamos de uma desburocratização para que haja interesse das empresas entrarem nesse setor. Garantias reais de segurança jurídica, que as regras do jogo não vão mudar", enfatiza o presidente.

Adequação

"Vias, rodovias, equipamentos grandes, centros de eventos, aeroportos, o Acquario, todos têm que ser administrados pela iniciativa privada, pois ela tem mais agilidade na adequação do produto ao mercado. A função do estado é regulamentar e dar incentivos para que o setor privado possa trabalhar com tranquilidade", pontua Montenegro.

Parceria

"Como o governo federal não tem programa de País para desenvolvimento, o setor privado se mobilizou para implantar"

Heitor Studart
Presidente do Coinfra na Fiec

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"Rodovias, equipamentos grandes, centros de eventos, o Acquario, todos têm que ser administrados pela iniciativa privada"

André Montenegro
Presidente do Sinduscon-CE

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