A Robinson Crusoe estuda investimento de, aproximadamente, R$ 35 milhões em dois armazéns em São Gonçalo do Amarante, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), até 2028.
A informação foi confirmada ao Diário do Nordeste pelo diretor geral da empresa, Fernando Botelho, durante o Ocean Summit 2026.
A ideia é aumentar a capacidade de armazenamento do produto terminado e da matéria-prima. Segundo Botelho, o primeiro armazém seco teria a capacidade de até cinco mil pallets, enquanto o armazém refrigerado contemplaria cerca de três mil toneladas de matéria prima.
Atualmente, a Robinson Crusoe, multinacional do setor de conservas, mantém uma unidade de fabricação no Pecém, sendo a única planta de processamento da marca no Brasil.
São mais de 16 mil toneladas de pescado (atum e sardinha) processadas e mais de 100 milhões de latas produzidas por ano, além de 660 empregos diretos e mais de 2 mil indiretos gerados no Ceará, de acordo com o diretor geral.
Segundo ele, o principal ativo da planta no Pecém é o atum. “Mais de 90% do atum que nós utilizamos na planta vem aqui do Ceará e ele tem todo um processo extenso de fabricação que envolve uma cadeia enorme. A gente tem desde o recebimento, até a classificação, a separação por espécies, o cozimento, a retirada de espinhas, de pele, tudo para deixar o lombo no ponto de ser enlatado”, descreve Botelho.
O negócio, que trabalha comercialmente em todo o Brasil, faz parte do grupo espanhol Jealsa, que tem operações em países como Guatemala e Chile.
Com baixa demanda nacional de atum, empresa investe em exportação
Apesar da principal atividade da empresa estar relacionada ao atum, Botelho detalha que apenas 30% do mercado de conserva brasileiro é voltado para a espécie, enquanto os outros 70% são destinados à sardinha.
Nesse cenário, a solução encontrada pelo negócio foi investir em exportação. Atualmente, a empresa exporta 220 contêineres por ano. Segundo o diretor geral, entre 30% e 35% do faturamento da empresa vêm da exportação.
“No Brasil, o consumo do atum cresce bastante, mas ainda está bem distante do da sardinha. Então hoje a gente exporta para mais de 10 países, toda a América do Sul, América Central, algumas operações com África e Oriente Médio”, indica.
Outras estratégias de inovação da marca são os lançamentos do atum com maior concentração de proteína, My Protein, voltado para o mercado fitness, e a criação da sardinha ralada, desenvolvida para aumentar a capacidade de rendimento do corte do peixe.
Na visão de Botelho, o potencial cearense na economia azul ainda pode ser melhor aproveitado, e sugere que exista um trabalho de incremento no volume de pesca.
“O Estado, as empresas, as associações, a academia, têm que estar juntas para conseguir ter um maior volume de cota. A nossa pesca é uma pescaria muito artesanal, são pequenos barcos de pesca, alcançam um contingente de pessoas enorme, que são os pescadores que estão lá nas regiões do Acaraú, Itarema, Camocim, Icapuí, então a gente tem um efeito muito grande para as populações que estão na costa, e aumentar esse volume de capturas é muito importante pro Ceará”, ressalta.