Uma juíza federal em Boston, nos Estados Unidos, bloqueou temporariamente a decisão do governo Donald Trump de impedir a Universidade de Harvard de matricular e aceitar estudantes estrangeiros. Allison Burroughs, do tribunal federal de Massachusetts, considerou a medida inconstitucional e, nesta sexta-feira (23), proibiu o governo americano de implementar a revogação da certificação Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio Sevis).
Na quinta-feira (22), a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, revogou a autoridade da Universidade de Harvard de matricular estudantes estrangeiros, uma ameaça ao futuro de milhares de estudantes da instituição. Como resposta, a universidade, que tem mais de 25% de estudantes estrangeiros, processou o governo de Trump.
A medida está suspensa até uma audiência preliminar marcada para a próxima quinta-feira (29). Para o presidente Donald Trump, a universidade é foco de antissemitismo e ideologia liberal progressista.
O governo já ameaçou revisar US$ 9 bilhões em financiamento governamental para Harvard, congelou uma primeira parcela de US$ 2,2 bilhões em bolsas e US$ 60 milhões em contratos oficiais, além de ter como alvo a deportação de um pesquisador da Escola de Medicina de Harvard.
A perda de estrangeiros — mais de um quarto dos alunos — pode custar caro para Harvard, que cobra dezenas de milhares de dólares por ano em mensalidades.
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'Ilegal e injustificado'
O reitor de Harvard, Alan Garber, declarou em um comunicado que a universidade condena a ação "ilegal e injustificada" do governo Trump.
"Ela coloca em risco o futuro de milhares de estudantes e acadêmicos de Harvard e serve de alerta para inúmeros outros alunos de faculdades e universidades de todo o país que vieram para os Estados Unidos para prosseguir seus estudos e realizar seus sonhos", disse o gestor. "Acabamos de apresentar uma queixa, e um pedido de ordem de restrição temporária será encaminhado", assegurou Alan Garber.
Anteriormente, Harvard processou o governo americano por uma série de medidas punitivas, com apoio da comunidade acadêmica.
Líderes da Associação Americana de Professores Universitários chamaram a decisão de "a mais recente de uma série de medidas abertamente autoritárias e retaliatórias contra a mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos".