Harvard processa governo Trump por bloqueio de estudantes estrangeiros
Reitor da universidade condenou a ação 'ilegal e injustificada' do governo Trump
A Universidade de Harvard processou o governo Trump nesta sexta-feira (23) pela decisão de proibir a instituição de matricular estudantes estrangeiros. A medida é uma resposta ao anúncio realizado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, na quinta-feira (22), que impede o ingresso à universidade, inclusive de alunos já matriculados, que deverão ser transferidos para outras instituições.
"Trata-se do mais recente ato do governo em clara retaliação ao fato de Harvard exercer seus direitos garantidos pela Primeira Emenda, rejeitando as exigências do governo para controlar a governança, o currículo e a 'ideologia' de seu corpo docente e discente", afirma a ação movida no tribunal federal de Massachusetts.
A decisão do governo coloca em dúvida o futuro de milhares de estudantes. O presidente Donald Trump entrou em embate com a Harvard por a instituição rejeitar se submeter à supervisão de admissões e contratações, alegando que a universidade é "um foco de antissemitismo e ideologia liberal consciente".
O governo já ameaçou revisar US$ 9 bilhões em financiamento governamental para Harvard, congelou uma primeira parcela de US$ 2,2 bilhões em bolsas e US$ 60 milhões em contratos oficiais, além de ter como alvo a deportação de um pesquisador da Escola de Medicina de Harvard.
A perda de estrangeiros — mais de um quarto dos alunos — pode custar caro para Harvard, que cobra dezenas de milhares de dólares por ano em mensalidades.
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'Ilegal e injustificado'
O reitor de Harvard, Alan Garber, declarou em um comunicado que a universidade condena a ação "ilegal e injustificada" do governo Trump.
"Ela coloca em risco o futuro de milhares de estudantes e acadêmicos de Harvard e serve de alerta para inúmeros outros alunos de faculdades e universidades de todo o país que vieram para os Estados Unidos para prosseguir seus estudos e realizar seus sonhos", disse o gestor. "Acabamos de apresentar uma queixa, e um pedido de ordem de restrição temporária será encaminhado", assegurou Alan Garber.
Anteriormente, Harvard processou o governo americano por uma série de medidas punitivas, com apoio da comunidade acadêmica.
Líderes da Associação Americana de Professores Universitários chamaram a decisão de "a mais recente de uma série de medidas abertamente autoritárias e retaliatórias contra a mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos".