Análise interna de vício em redes sociais feita pelo Facebook incluiu casos no Brasil

Documentos internos da atual Meta, antigo Facebook, revelaram que empresa estava ciente do potencial viciante das plataformas.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Uma criança segura um smartphone com as duas mãos, exibindo a página de login do Facebook com o logotipo azul em destaque na tela. O plano fechado foca nos dedos da criança sobre o teclado virtual do aparelho, enquanto o fundo permanece levemente desfocado.
Legenda: Processo movido contra empresas de tecnologia por jovem de 20 anos revelou documentos internos das companhias.
Foto: David Gray / AFP.

Desde pelo menos 2019, o antigo Facebook e atual Meta — big tech que comanda redes sociais como o Facebook, WhatsApp e Instagram — fazia avaliações sobre uso compulsivo das próprias plataformas.

A descoberta foi feita a partir de documentos internos da empresa obtidos pela Justiça americana em um processo movido por uma jovem de 20 anos.

A mulher, que criou contas no YouTube aos 8 e no Instagram aos 9 anos, processou as empresas por danos à saúde mental

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Por conta do processo, as empresas foram obrigadas a entregar documentos internos à Justiça, onde foi revelado que o Facebook acompanhava usuários do Brasil, da Índia e dos EUA que relatavam relação de mal-estar com as redes sociais.

Pela existência destes relatórios, o júri do caso da jovem estadunidense de 20 anos compreendeu que as empresas tinham consciência dos riscos de uso das redes e foram negligentes.

"Uso problemático" das redes 

Um dos relatos avaliados pelo Facebook foi de um brasileiro à época com 24 anos que afirmava que o tempo que gastava na rede não era “saudável” e que abria o aplicativo a cada meia hora.

Nos documentos internos, a empresa compreendia “uso problemático” como aquele em que havia “falta de controle” e “culpa”.

Entre impactos disso, estavam listados perda de produtividade, problemas em relações e distúrbios do sono.

Em relação ao julgamento no qual foi considerada negligente, a Meta se posicionou afirmando discordar do veredito e avaliar opções legais. Ela e o YouTube planejam recorrer da decisão.

Outras redes sociais também citadas no processo, como o Snapchat e o TikTok, fecharam acordos com a jovem antes do julgamento ter início.

Busca por aumentar o número de usuários adolescentes

Trocas de emails entre diretores do Facebook datadas do fim de 2016 também foram divulgadas a partir do processo.

Nelas, um deles afirmou que a “prioridade zero” da empresa na época era aumentar o número de usuários entre os adolescentes, em especial nos EUA.

Um dos planos era crescer em escolas que tinham muitos usuários de iPhones.

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