UFC demite dois servidores envolvidos em casos de assédio sexual
Foi a primeira vez que a instituição aplicou esse tipo de punição para servidores públicos.
Dois servidores da Universidade Federal do Ceará (UFC) foram demitidos após praticarem assédio sexual dentro da instituição. As condutas passaram por processo de denúncia, análise e comprovação. Esta é a primeira vez que a instituição aplica esse tipo de punição para servidores públicos neste contexto.
A UFC detalhou, em nota divulgada na terça-feira (21), que os assédios foram praticados por uma servidora docente e por um técnico-administrativo (TAE).
Para decisão, foram considerados documentos e normativos que serviram de base para a construção da Política de Prevenção e Enfrentamento aos Assédios e às Discriminações no âmbito da própria UFC. Dentre eles, estão:
- Guia Lilás, com orientações sobre assédio moral e sexual);
- Nota Técnica da Corregedoria-Geral da União, que aponta o enquadramento disciplinar das condutas de cunho sexual.
As demissões foram registradas seis meses após desligamento de dois alunos por assédio sexual no campus de Quixadá. Em novembro de 2025, a UFC oficializou a expulsão depois de instaurar comissões compostas por servidores e estudantes do campus para apurar os fatos.
Servidor perseguiu aluna nas redes sociais
A ocorrência com o servidor TAE envolveu uma aluna da universidade, que relatou:
- Conversas indesejáveis sobre sexos;
- Insistência em convites para encontros e envio de presentes;
- Perseguição nas redes sociais;
- Flertes e paqueras não correspondidos.
Essas condutas foram praticadas ao longo de 2024. Assim, a estudante denunciou o servidor através da "Fala.BR", plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação do Poder Executivo Federal.
Após investigação preliminar da Comissão Permanente de Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD), foi recomendado o afastamento preventivo do servidor denunciado à Reitoria. A decisão considerou a gravidade e o teor dos fatos relatados.
Segundo o secretário da CPPAD, Carlos Henrique Vasconcelos, o servidor denunciado pôde realizar a defesa.
"A Presidência da CPPAD recomendou à Reitoria a penalidade de demissão, pois ficou comprovado que houve assédio e, de acordo com os normativos atuais sobre o assunto, a demissão é a única decisão a ser tomada. Após nova análise pela Procuradoria e pela Coordenadoria de Legislação do Gabinete da Reitoria, houve o julgamento pelo reitor, que confirmou a demissão do servidor. Todo o procedimento durou cerca de um ano".
Professora expôs alunos a situações constrangedoras
O segundo caso envolveu uma professora que expôs alunos e alunas a situações constrangedoras. A maioria das condutas foram registradas dentro de sala de aula.
Além de fazer uso de uma comunicação agressiva e desrespeitosa, ela também fez comentários e simulação de atos de teor sexual diante dos estudantes.
Há discentes e docentes de diferentes cursos afetados. Nesta ocorrência, dez denúncias foram reunidas durante a investigação. Cinco vítimas diretas foram ouvidas pela comissão, porém, o secretário Carlos Henrique explicou que o número total de vítimas é incerto.
"A primeira das denúncias chegou ao conhecimento da CPPAD em fevereiro de 2024 e a decisão de julgamento ocorreu em fevereiro de 2026, totalizando dois anos de apuração", detalhou.