SAP pede permanência de líder de facção em presídio federal

'Barrinha' é acusado de ser um dos mandantes da Chacina das Cajazeiras e levava uma vida de luxo em Pernambuco, quando foi preso, no ano passado. Prazo em presídio de segurança máxima expira na próxima semana

Legenda: 14 pessoas foram mortas a tiros na casa de shows Forró do Gago, em Fortaleza, no dia 27 de janeiro de 2018
Foto: CID BARBOSA

A Secretaria da Administração Penitenciária do Ceará (SAP) solicitou à Justiça Federal a permanência de Francisco de Assis Fernandes da Silva, o 'Barrinha', em um presídio federal de segurança máxima. Ele é apontado pela polícia cearense como um dos principais chefes da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) e como um dos mandantes daChacina das Cajazeiras.

A 1ª Vara de Execução Penal da Comarca de Fortaleza, da Justiça Estadual, publicou o pedido da SAP no Diário da Justiça Eletrônico do último dia 4 de setembro. O juiz estadual pediu que o juiz federal corregedor "aguarde a conclusão do contraditório e a formação de novo juízo de valor sobre a necessidade de permanência do apenado em unidade prisional federal".

'Barrinha' está detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e o prazo de permanência no estabelecimento termina na próxima terça-feira (22). A defesa do detento, que tem até a próxima segunda (21) para se manifestar nos autos, não quis antecipar o posicionamento à reportagem.

O acusado foi preso em uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e do Departamento de Inteligência Policial (DIP), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), no Estado de Pernambuco, em abril do ano passado.

Segundo os investigadores, 'Barrinha' levava uma vida luxuosa, em um imóvel de alto padrão, em Boa Viagem, Recife, às custas de dinheiro arrecadado por outros membros da facção. Com ele, foram apreendidos R$ 13 mil em espécie, 11 relógios de luxo, dois anéis de ouro (templários), 11 cartões bancários, documentos falsos e uma pistola calibre 9 mm, com dois cartuchos e 33 munições no total.

Durante a operação policial, também foi preso outro homem apontado como líder da organização criminosa, Francisco Tiago Alves do Nascimento, o 'Tiago Magão', no mesmo bairro.

Na posse dele, a Polícia apreendeu mais cartões bancários e documentos com nomes falsos. 'Barrinha' é apontado como um dos fundadores e um dos seis principais líderes da facção criminosa cearense. A alta cúpula se distingue por seis anéis templários (dos quais dois foram apreendidos na operação policial em Pernambuco), avaliados em R$ 7 mil cada.

Conforme investigações da Polícia Federal (PF), a primeira passagem de 'Barrinha' por um presídio federal o levou a conhecer o paraibano Ednal Braz da Silva, o 'Siciliano', os quais decidiram instalar uma facção no Ceará. Eles dois e 'Tiago Magão', além de Marcos André Silva Ferreira, o 'Branquinho', Yago Steferson Alves dos Santos, o 'Gordão', e Deijair de Souza Silva, o 'De Deus', são os proprietários dos anéis templários.

Passagens

Ao total, 'Barrinha' acumula 12 passagens pela polícia cearense, por crimes como homicídio, sequestro, roubo e organização criminosa. Em um dos processos por homicídio, ele é acusado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) de ser um dos mandantes da Chacina das Cajazeiras. O ataque da GDE à festa que acontecia no Forró do Gago (que era conhecida por reunir rivais da facção Comando Vermelho - CV), em Fortaleza, no dia 27 de janeiro de 2018, deixou 14 pessoas mortas - muitas delas sem sequer ter antecedentes criminais.

Habeas corpus

Mesmo com a permanência de 'Barrinha' em presídio federal indefinida, a defesa ingressou com um pedido de habeas copus no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), no último dia 9 de setembro. O advogado alega que não teve acesso completo ao material da investigação policial contra o cliente.

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