Mulher trans e homens em situação de rua foram mortos por mesmos criminosos em intervalo de minutos

Mortes ocorreram em 12 de julho, na Maraponga e Parangaba; Soraya foi morta por estar na companhia de alvo dos homicídios

Soraya de Oliveira Santiago, trans de 35 anos, foi assassinada às margens da Lagoa da Maraponga na companhia de homem que  foi alvo de homicidas
Legenda: Soraya de Oliveira Santiago, trans de 35 anos, foi assassinada às margens da Lagoa da Maraponga na companhia de homem que foi alvo de homicidas
Foto: Reprodução

As investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) indicaram que uma mulher trans e dois homens em situação de rua mortos na madrugada de 12 de julho, na Maraponga e Parangaba, em Fortaleza, foram assassinados pelos mesmos indivíduos. Dois suspeitos foram presos nesta sexta-feira (28) e outros três estão sendo investigados.

Gerson Ediberg Pereira dos Santos, de 47 anos, foi morto a tiros enquanto dormia em uma calçada, próximo ao terminal da Parangaba. Minutos depois, Francisco Ediberto dos Santos Brasileiro, de 39 anos, e Soraya de Oliveira Santiago, uma mulher trans de 35 anos, foram assassinados a tiros às margens da Lagoa da Maraponga. Toda a ação ocorreu entre 1h30 e 2h de 12 de julho. 

De acordo com o delegado Leonardo Barreto, diretor do DHPP, os suspeitos pretendiam matar Gerson e Francisco Ediberto, mas decidiram assassinar Soraya para ocultar o crime, já que ela estava com Ediberto. 

"Conseguimos extrair que a motivação não foi ódio ou descriminação pela condição de gênero específica de uma das vítimas. O alvo era o Ediberto, e pelo fato da Soraiya se encontrada na companhia dele, ela também foi assassinada", explica.

Mortes foram represália

A disputa entre duas facções na região motivou os assassinatos. Horas antes do crime, houve uma troca de tiros em uma comunidade conhecida como 'Sítio do Crack', comandada pela facção a qual os suspeitos pertencem. Para revidar o atentado, os investigados execultaram pessoas que viviam no território do grupo rival. 

Segundo o delegado Barreto, Soraya não tinha relação com o crime e era dona de um salão na Maraponga. Também não foi comprovada a participação dos dois homens em organização criminosa. 

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Legenda: Os delegados Leonardo Barreto e Paulo Renato comandaram as investigações do triplo homicídio

"A gente visualiza que algumas pessoas, só por estarem em uma regiao, são vistas como simpatizantes de uma organização criminosa. O que nem sempre é verdadeiro. Nem sempre conseguimos constatar que o indivíduo está integrando organização", explica. 

Após a reunião das provas, a equipe da 9° Delegacia do DHPP enviou o inquérito ao Ministério Público, que já apresentou denúncia contra os suspeitos. Sidney Marques Souza e Francisco Anderson Pereira Costa, ambos de 25 anos, foram capturados e indiciados por integrar associação criminosa armada e triplo homicídio qualificado.

Os dois contaram com apoio de outros três suspeitos. Dois deles já foram identificados e estão sendo procurados, segundo o delegado Paulo Renato. 

Assassinado de mulheres trans

O Ceará contabiliza 15 travestis e transexuais mortas este ano, quase um terço de todos os registros levantados pelo Sistema Verdes Mares (SVM). Apenas no mês de agosto, foram contabilizados cinco homicídios de mulheres transexuais ou travestis

Segundo Leonardo Barreto, diretor do DHPP, o departamento está atento às violações dos direitos humanos e busca identificar se os assassinatos têm alguma relação com descriminação. O diretor afirma que se reuniu com a comissão de Diretos Humanos da Assembleia Legislativa e com associações para discutir crimes com vítimas trans.

"Foi ratificado o compromisso de que, além do monitoramento desses casos, nós iriamos reprimir todo e qualquer ato tendente a violação de diretos humanos. [...] Sobretudo quando a vida se trata de grupos vulneráveis, essa lente diferenciada deve existir e nós estamos fazer esse monitoramento"

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