Morte de programador: testemunhas localizadas

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: DELEGADO PAULO César mostra uma camisa manchada de sangue, que foi encontrada no local do assassinato
Foto: Kiko Silva
A Polícia Civil já localizou pelo menos duas testemunhas do assassinato do programador de computadores Paulo Afonso Aguiar Regadas, 34 anos. Ele era apontado como um dos envolvidos em uma fraude no Instituto de Previdência do Município (IPM), fato que provocou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Câmara Municipal de Fortaleza. O corpo dele, com marcas de tiros e tortura, foi encontrado, na manhã de domingo último, às margens do quilômetro sete da rodovia CE-025, próximo à Lagoa da Precabura.

As testemunhas (identidades preservadas) deverão depor nos próximos dias. Ontem, três delegados trabalharam no caso, mas ficou decidido que o inquérito será instaurado pelo 6º DP (Messejana). O delegado Paulo César Cavalcante Andrade compareceu ao local do achado do cadáver, junto com seu colega José Lopes Filho, do 26º DP (Edson Queiroz). Os dois iniciaram as investigações conjuntamente com a delegada Lindalva Lima, do 17º DP (Vila Velha).

SANGUE - Ali, a Polícia encontrou sinais de violência. Uma camisa branca, com estampas florais azuis, estava jogada no matagal, com manchas de sangue. Também foi achado um pedaço de película protetora de vidros de automóveis que, conforme o delegado Paulo César, pode ser do jipe Suzuki Vitara da vítima, roubado pelos assassinos e encontrado, horas depois, incendiado, em um matagal no bairro Vila Velha.

Foi exatamente a descoberta do carro que levou a delegada Lindalva Lima a participar das primeiras investigações, já que o local da ‘desova’ do jipe está na circunscrição do 17º

DP. Mesmo incendiado, o que restou do veículo foi levado por catadores. “O que encontramos do carro, coube em um saco plástico”, disse Lindalva.

A Polícia também já descobriu pistas do trajeto feito pela vítima desde que ela saiu de casa, em Parangaba, na noite de sábado último, para encontrar amigos. Foi identificado o bar onde Paulo Regadas esteve na madrugada do domingo. Segundo o delegado Paulo César, uma das testemunhas localizadas ontem à tarde disse, categoricamente, ter visto quando os assassinos passaram no jipe, com a vítima, em direção ao local do crime. Esta mesma pessoa assegura que ouviu quando Paulo Regadas implorou para não ser morto. “Não me matem, sou um pai de família!”, disse ele. Em seguida, foram ouvidos pelo menos três estampidos. Logo depois, o Vitara passou de volta, rumo à Avenida Washington Soares, e desapareceu.

SUSPEITAS - A hipótese de uma queima-de-arquivo foi levantada pelos vereadores que compõem a CPI da Câmara Municipal. Paulo Regadas era investigado sobre a utilização irregular de recursos do IPM na gestão da ex-superintendente Rose Mary Maciel. Na época, ele era o assessor de informática do órgão. Ele já havia prestado depoimento na CPI, mas deveria ser reinquirido nos próximos dias. A fraude investigada gira em torno de R$ 6 milhões. O próprio presidente da CPI, vereador Elpídio Nogueira (PSB) vai acompanhar as investigações em torno do crime.