Investigações revelam: irmão mandou executar comerciante
A Polícia está à procura do comerciante João Batista Portela - que usa também o nome de João Batista Machado Portela - 39 anos, natural de Coreaú. Ele, agora, é apontado como o mandante de, pelo menos, três assassinatos que estão sendo investigados pela força-tarefa da Polícia Civil. Entre as vítimas, seu próprio irmão, o também comerciante Francisco Valter Portela; e ainda, a adolescente Ana Bruna de Queiroz Braga, tida como testemunha-chave dos homicídios.
Na semana passada, João Portela teve prisão preventiva decretada pela Comarca de Maracanaú, como autor intelectual da morte de seu irmão. Ontem, o juiz da 5ª Vara do Júri de Fortaleza, Jucid Peixoto do Amaral, decretou mais uma preventiva contra o comerciante. Desta vez, pela morte de Ana Bruna. Também tiveram prisão decretada, três policiais militares e, ainda, um delegado da Polícia Civil.
Exclusivo
A identidade do mandante dos crimes foi revelada em primeira mão ao Diário do Nordeste, há uma semana, com base numa entrevista que a adolescente Ana Bruna concedeu a este jornal - com absoluta exclusividade - um dia após a morte de seu companheiro, o ex-soldado PM Ademir Mendes (envolvido diretamente no assassinato de Valter Portela). Na ocasião, e mesmo depois de ter tomado conhecimento da decretação da prisão preventiva de João Portela, o jornal optou por manter a informação sob sigilo, para que as investigações policiais não fossem prejudicadas.
Segundo a jovem revelou ao Diário, e, posteriormente, confirmou em seu depoimento à Polícia e ao Ministério Público, João Portela pagou R$ 10 mil pela morte do irmão, e destes, R$ 3,5 mil ficaram com Ademir. O restante do dinheiro foi rateado entre os policiais José Eudásio Nascimento de Sousa (cabo da ativa da PM) e Lúcio Antônio de Castro Gomes (soldado da ativa da PM). Bruna contou também que o cabo Eudásio, soldado Lúcio e o ex-PM Ademir, teriam se reunido após a morte de Portela.
No documento em que fundamentou sua decisão de decretar a prisão preventiva do grupo, o juiz Jucid Peixoto faz menção à participação de outro PM da ativa no bando. Trata-se do cabo Raimundo Nonato Gomes Pereira, o ‘Cabo Nonatinho’ (atualmente, afastado das funções por licença para tratamento de saúde). “Podemos salientar que, na véspera da morte de Francisco Valter Portela (no dia 1º de março último), ele (Nonato), fez todos os contatos com os partícipes do crime, chegando a marcar com o soldado Lúcio o momento em que iriam praticar o delito”.
Mistério
Os motivos de João Portela ter encomendado a morte do próprio irmão ainda são nebulosos e as investigações estão sendo aprofundadas pela força-tarefa da Polícia Civil, composta pelos delegados Jairo Façanha Pequeno, Andrade Júnior e Franco Júnior. Sabe-se, porém, que ele é um homem que já tem antecedentes criminais, isto é, passagens pela Polícia.
João Batista Portela respondeu a procedimento (inquérito) instaurado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), por crime de estelionato (artigo 171 do Código Penal Brasileiro). Isto ocorreu em julho de 1999. Na ocasião também foram indiciadas outras duas pessoas. Até a noite passada, o paradeiro do acusado ainda era desconhecido. Há suspeitas de que ele esteja foragido no Interior do Estado.
Fernando Ribeiro/Nathália Lobo
Repórteres