Homem e adolescente são detidos suspeitos da morte de travesti em Paracuru, no Litoral Oeste

A Polícia ainda procura um terceiro suspeito, já identificado

Travesti conhecida como Bebê
Legenda: A vítima foi morta a facadas na manhã da terça-feira (22) no bairro Rio Doce, em Paracuru
Foto: Reprodução TV Verdes Mares

Um homem foi preso e um adolescente de 16 anos apreendido, na quarta-feira (23), suspeitos de participação na morte de uma travesti de 29 anos em Paracuru, no Litoral Oeste. A Polícia ainda procura um terceiro suspeito, já identificado.

A vítima, conhecida na região como Bebê, foi morta a facadas na manhã da terça-feira (22) no bairro Rio Doce. Segundo a delegada titular da Delegacia Metropolitana de Paracuru, Sâmella Saraiva, as investigações apontam transfobia como motivação do crime.

“Os dois demonstraram frieza ao falar sobre o crime, sobretudo o adolescente, que contou detalhes sobre a ação. Além disso, o corpo foi encontrado com lesões decorrentes de objetos contundente e perfurocortante, após uma discussão entre os envolvidos e a vítima”, disse. 

O homem foi autuado em flagrante por homicídio qualificado pelo motivo torpe, em razão dos indícios de conduta transfóbica, e pela impossibilidade de defesa da vítima. Para o adolescente, foi lavrado um ato infracional análogo ao homicídio.

A Polícia Civil ainda reteve para análise pericial a bicicleta da vítima, que foi encontrada na casa do adolescente, e os calçados utilizados pela dupla. 

Pessoa querida

O crime chocou pessoas que conheciam a vítima, visto que ela era querida na região onde morava. Bebê trabalhava como cozinheira em um restaurante do Município há oito meses.

Segundo seu chefe, que preferiu não se identificar, ela se tratava de uma pessoa reservada, respeitadora, trabalhadora e comprometida. 

“Era uma pessoa muito legal. Estamos sentindo muito a perda tanto da pessoa de bom coração que era quanto da profissional”, disse. 

Dois crimes com um dia de diferença

O assassinato brutal de Bebê não foi o único a vitimar uma travesti nesta semana no Estado.

Segundo a Associação de Travestis e Mulheres Transexuais do Ceará (Atrac), outra vítima, de 28 anos, morreu após ser apedrejada no município de Russas, na madrugada da segunda-feira (21).

O corpo, que ainda não teve identificação, teria sido encontrado com a cabeça esmagada. Na cena do crime, havia uma pedra coberta de sangue.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS) disse que a “Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) mantém as investigações sobre um homicídio doloso". 

Cidadania violada

“Precisamos de mais informações concretas. Infelizmente, o Estado do Ceará hoje é onde mais se viola a cidadania de travestis, transexuais e pessoas LGBTQIA+. Estamos sendo campeões de assassinatos contra pessoas LGBT e isso é inaceitável”, lamentou Andrea Rossati, presidente da Atrac, ao comentar os dois casos.  

Andrea acrescenta que os órgãos de segurança pública precisam de mecanismos mais rápidos para que esses casos sejam resolvidos, além de um plano estadual para erradicar esses crimes. 

 

 

Quero receber conteúdos exclusivos sobre segurança