Cinco acusados de matar 'Gegê do Mangue' e 'Paca' serão interrogados nesta semana

Também devem ser ouvidas testemunhas dos acusados. O duplo homicídio aconteceu no ano de 2018, em Aquiraz

Escrito por Redação, seguranca@svm.com.br

Segurança
gege e paca
Legenda: Gegê e Paca lideravam uma facção criminosa e, conforme a investigação, vinham ostentando e lavando dinheiro no Ceará

As audiências das testemunhas e dos réus do processo que apura as mortes de dois líderes de uma facção criminosa serão retomadas nesta semana. Nesta quarta-feira (2), cinco réus acusados de participar dos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Sousa, o 'Paca' serão interrogados.

Ainda nesta terça-feira (1º), devem ser ouvidas testemunhas de defesa. A partir do dia seguinte até o próximo 8 de junho estão programados os interrogatórios dos réus Felipe Ramos Morais; André Luís da Costa Lopes, 'Andrezinho da Baixada'; Jefte Ferreira dos Santos; Carlenilto Pereira Maltas e Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho'.

Consta nos autos que as audiências acontecerão de forma virtual, podendo os advogados dos acusados os acompanhar presencialmente nas unidades prisionais onde cada um é mantido. Até o momento, há presos nas unidades federais no Paraná e em Brasília, e na penitenciária estadual em Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza.

Entretanto, o piloto Felipe Ramos pediu, no último domingo (30), pelo adiamento das audiências, por motivo de saúde. Segundo a defesa do acusado, ele tem "quadro grave de labirintite (certamente emocional) , aguardando resultados dos exames clínicos".

Alega ainda que Felipe "não consegue se manter em pé devido a tontura e ânsia, está com total falta de coordenação motora e psicológica, não conseguindo manter concentração, totalmente impossibilitado de participar de audiências". A Justiça Estadual ainda não decidiu sobre o pedido, até a manhã desta segunda-feira (31).

Liberdade

Esta será a primeira vez que o piloto Felipe Ramos prestará depoimento acerca do caso estando em liberdade, se a Justiça não aceitar o pedido de adiamento do réu. No dia 12 de abril de 2021, quase três após depois de ser preso, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) determinou a soltura de Felipe.

O Poder Judiciário considerou o quadro de saúde debilitado de Felipe Morais - que utiliza um balão intragástrico que já explodiu - para conceder a liberdade provisória. Além disso, o piloto perdeu mais de 30 kg na prisão, por fazer greve de fome, utiliza medicamentos controlados e até tentou suicídio duas vezes.

Felipe diz ter firmado delação premiada com Ministério Público do Ceará (MPCE), o que foi negado pelo Órgão. No mesmo dia que ele foi solto pelo TJCE, o colegiado de juízes da Comarca de Aquiraz negou a anulação dos atos processuais e pedidos de relaxamento das prisões dos réus.

Réus no caso:

Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho'

André Luís da Costa Lopes, o 'Andrezinho da Baixada';

Carlenilto Pereira Maltas

Felipe Ramos Morais

Jefte Ferreira Santos

Erick Machado Santos

Ronaldo Pereira Costa

Tiago Lourenço de Sá Lima

Renato Oliveira Mota

Maria Jussara da Conceição Ferreira Santos

Duplo homicídio

'Gegê' e 'Paca' foram mortos em uma emboscada pensada pelos próprios colegas de facção. O crime aconteceu em fevereiro de 2018, em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza. O atentado cinematográfico aconteceu com uso de uma aeronave.

Nos dias seguintes aos assassinatos, um bilhete apreendido por agentes na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior paulista, começava a revelar que o crime era premeditado e tinha um porquê.

"Ontem, fomos chamados em umas ideias, aonde nosso irmão Cabelo Duro deixou nois ciente que o Fuminho mandou matar o GG e o Paka. Inclusive, o irmão Cabelo Duro e mais alguns irmãos são prova que os irmãos estavam roubando (sic)", dizia o bilhete.

De acordo com entrevistas concedidas pelo promotor do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, a dupla foi morta a mando da cúpula da facção paulista. Indícios que Rogério Jeremias e Fabiano roubaram a própria organização desviando milhões provenientes do tráfico de cocaína foram suficientes para desfazer a aliança e resultar nas mortes, deixando assim lição aos demais faccionados.

O duplo homicídio iniciou guerra interna no grupo. Uma semana depois, mais uma execução de membro da cúpula da organização. Wagner Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro' citado no bilhete apreendido em Venceslau, e que teria participado diretamente das mortes de 'Gegê' e 'Paca', foi morto com tiros de fuzil em um ataque realizado na porta de um hotel, na região da Zona Leste de São Paulo.

 

 

 

 

 

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