Chefe de facção acusado de matar ex-mulher e ex-sogra vai a júri

Marcílio Alves Feitosa está detido em um presídio federal. O julgamento pelo homicídio qualificado deve acontecer no mês de agosto deste ano por meio de videoconferência. O motivo do crime teria sido ciúme da ex-namorada

Escrito por Redação, segurança@svm.com.br

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Legenda: As duas mulheres foram mortas dentro de casa no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza
Foto: VIVIANE PINHEIRO

Sete anos após ordenar um duplo homicídio, Marcílio Alves Feitosa, conhecido como 'Tranca' irá a júri popular. O homem, detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, é considerado como um dos chefes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital e acusado por tramar, de dentro da prisão, os assassinatos de Desiane Duarte Benigno, ex-namorada do réu, e Jovita Duarte de Lima, mãe de Desiane.

O juiz Welton José da Silva Favacho, da 1ª Vara do Júri de Fortaleza, decidiu que o julgamento de Marcílio pelo crime de homicídio qualificado deve acontecer no dia 17 de agosto de 2020, às 14h, por videoconferência. Na decisão, o magistrado destaca que devido ao regime de teletrabalho instaurado pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TCE) decorrente da pandemia do novo coronavírus não há data mais próxima desimpedida.

O acusado foi pronunciado em janeiro de 2018. Anteriormente, a Justiça já havia agendado o júri para maio deste ano. No entanto, conforme magistrado, o julgamento deixou de acontecer devido à pandemia.

Tráfico internacional

Marcílio é apontado pelas autoridades como traficante internacional de drogas, aliado de Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho', uma das principais lideranças internacionais da facção paulista com atuação em todos os estados brasileiros, na América Latina e em outros países como Estados Unidos. 'Fuminho' foi preso há um mês, em Moçambique, após integrar a lista dos mais procurados no País por quase duas décadas.

Gilberto Aparecido teria ordenado as mortes de Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue' e Fabiano Alves de Sousa, o 'Paca', em fevereiro de 2018, em Aquiraz. A ligação de 'Fuminho' com Marcílio é antiga. Ele morou em Acopiara em 2010, cidade onde Marcílio começou seu caminho no mundo do narcotráfico internacional.

Foi durante a investigação de um esquema milionário de venda de cocaína e maconha financiada por Marcílio que a Polícia descobriu o envolvimento dele no duplo homicídio. Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça captaram conversas em que ele ordenou que comparsas executasse as duas mulheres.

As mortes ocorreram no dia 19 de fevereiro de 2013, no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza. Marcílio matinha um relacionamento com Desiane e, conforme os autos, não aceitou o fim do namoro. A investigação apontou que ele estava preso em uma unidade prisional de Caucaia quando ordenou as mortes.

Daysiane havia sido solta pouco mais de um ano antes de morrer. Ela tinha antecedentes criminais por homicídio e formação de quadrilha. A jovem era suspeita de integrar um bando que atacava agencias bancárias na Região Centro-Sul do Estado.

No dia do duplo assassinado, as vítimas estavam dentro de casa quando criminosos contratados arrombaram o portão e a porta até encontrar as mulheres. Mãe e filha morreram alvejadas a tiros dentro do quarto. No local ainda havia um bebê, que presenciou o crime.

Prisão

Em março deste ano de 2020, logo quando a pandemia da Covid-19 se instalou no Brasil, o advogado de defesa de Marcílio pediu que ele fosse para prisão domiciliar. O Ministério Público do Ceará (MPCE) se posicionou contra o pedido da defesa. O Poder Judiciário acatou o parecer do MPCE e negou o pedido. Até o fechamento desta edição, a reportagem não havia conseguido contato por telefone com o advogado de defesa de Marcílio Alves Feitosa.

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