Capitão da Aeronáutica é transferido para a Base Aérea e tem a prisão preventiva decretada

Militar é suspeito de matar o ex-sogro da filha dele e de tentar matar o filho e a esposa da vítima

Legenda: Crimes ocorreram em prédio no bairro José Bonifácio, em Fortaleza.
Foto: Rafaela Duarte

O capitão reformado da Aeronáutica Luís Eduardo Ferreira de Melo, de 67 anos, suspeito de homicídio e tentativa de homicídio, foi transferido do 34º DP (Centro), da Polícia Civil do Ceará (PCCE) para o xadrez da Base Aérea de Fortaleza e  teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva pela Justiça Estadual .

Luís Eduardo foi preso após matar o ex-sogro da filha dele, o bancário aposentado Fernando Carlos Pinto, 59 anos e ferir o ex-genro e mãe dele, de 58 anos, em um condomínio no bairro José Bonifácio, em Fortaleza. O caso aconteceu no último domingo (22), cinco dias depois do pai de uma criança, que é neta do suspeito e da vítima, pedir à Justiça Estadual que o militar não estivesse presente nas visitas dele ao filho.

A 17ª Vara Criminal - Vara de Audiências de Custódia converteu a prisão na última segunda-feira (23), ao considerar que "estão presentes indícios de autoria e da materialidade delitiva", o que foi de acordo com a manifestação do Ministério Público do Ceará (MPCE).

A defesa de Luís Eduardo, representada pelo advogado Delano Cruz, considera, no processo, que as infrações cometidas pelo cliente são "gravíssimas" e que "a repercussão social da localidade pode até ter sido abalada, mas a periculosidade do Capitão Eduardo não resta comprovadas nos autos, na medida em que o sistema demonstra que é primário, tem bons antecedentes e que jamais foi presa ou processada anteriormente". O advogado pediu a concessão da liberdade provisória do militar, com aplicação de medidas cautelares, mas não foi atendido.

No prédio onde ocorreram os crimes moram o capitão, a esposa, uma filha e um neto de dois anos. A família paterna da criança conseguiu, judicialmente, a permissão para ver o menino aos domingos. No dia do crime, segundo testemunhas, Luís Eduardo desceu com o garoto para essa visita semanal quando houve um desentendimento e luta corporal entre ele e o ex-genro, um advogado de 32 anos. A seguir, o capitão voltou ao apartamento, apanhou uma arma e atirou em direção às pessoas.

O avô paterno do menino morreu no local, o ex-genro foi atingido e socorrido para o Instituto Doutor José Frota (IJF), sem risco de morrer. A avó paterna levou tiros e ferimentos mais leves, sendo também atendida em uma unidade hospitalar.

Pai da criança sofreu ameaças do ex-sogro

A atual companheira do pai do menino - que não quis se identificar - contou ao Sistema Verdes Mares que o companheiro já tinha recebido ameaças de Luís Eduardo por telefone, o que motivou o registro de um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Polícia Civil do Ceará (PCCE). "É guerra que você quer? É guerra que você vai ter. Eu dou minha vida por esse menino", teria dito o militar.

A mulher está grávida e só não foi visitar o enteado porque os pais do companheiro dela decidiram ir. "Ontem teve a visita. Não fui pois os pais do meu marido tinham passado uma temporada fora e queriam ver o neto. Íamos todos, mas disse que seriam muita gente pra ir para a visita. Fiquei em casa. Foi minha sorte. Esse tiro teria sido em mim. Eu tô com 35 semanas de uma gestação, de uma menina", revela.

Segundo ela, o capitão reformado da Aeronáutica sempre se mostrou violento e comprou a arma recentemente. Ele também teria ameaçado o pai da criança, em outra visita, no último dia 8 de novembro. "Ele (Luís Eduardo) desceu porque a criança estava chorando e avançou para cima do T. (companheiro dela, identidade preservada). E o T. tentou contornar a situação, falou para ele se acalmar. Mas ele disse que não queria saber de conversa. Já veio com agressões. Não chegaram a ser físicas pois falei para o T. para irmos embora, pois eu vi que ele ia fazer besteira. E ele disse: 'Você quer guerra e é guerra que você vai ter. Quem ri por último, ri melhor. Escreve o que eu estou te dizendo'".

A mulher diz que está com medo: "Porque se ele sair, se for liberado? Quem me garante que ele não vem pegar minha família também? Eu espero muito que ele fique durante muito tempo (preso). Ele é uma pessoa violenta. Eu acredito que as pessoas podem se recuperar, mas a forma como ele age, ele não é uma pessoa que quer ser recuperado. Fico com medo do que pode acontecer".

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