Ex-genro pediu à Justiça que capitão da Aeronáutica não estivesse presente em visitas ao filho

O militar, avô materno, já teria ameaçado o pai do seu neto e foi preso por matar o avô paterno do menino

Legenda: Crimes ocorreram em prédio no José Bonifácio
Foto: Rafaela Duarte/SVM

O pai do menino, que é motivo de briga judicial, pediu à Justiça Estadual na terça-feira (17) para que o avô materno - um capitão reformado da Aeronáutica - não estivesse presente nas visitas à criança. O militar, identificado como Luís Eduardo Ferreira de Melo, 67 anos, foi preso 5 dias depois da solicitação, suspeito de matar o avô paterno da criança, o bancário aposentado Fernando Carlos Pinto, 59.

A reportagem tentou contato com integrantes da família do oficial suspeito, mas eles não quiseram se manifestar. Não conseguimos contato com o advogado do capitão. 

Segundo o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o pedido, "no mesmo dia em que requerido, foi despachado com vista ao Ministério Público e, retornado os autos, determinou-se a ouvida da parte contrária a respeito, situação em que se encontra o processo atualmente".

A atual companheira do pai do menino - que não quis se identificar - contou ao Sistema Verdes Mares que o companheiro já tinha recebido ameaças de Luís Eduardo por telefone, o que motivou o registro de um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Polícia Civil do Ceará (PCCE). "É guerra que você quer? É guerra que você vai ter. Eu dou minha vida por esse menino", teria dito o militar.

A mulher está grávida e só não foi visitar o enteado porque os pais do companheiro dela decidiram ir. "Ontem teve a visita. Não fui pois os pais do meu marido tinham passado uma temporada fora e queriam ver o neto. Íamos todos, mas disse que seriam muita gente pra ir para a visita. Fiquei em casa. Foi minha sorte. Esse tiro teria sido em mim. Eu tô com 35 semanas de uma gestação, de uma menina", revela.

Segundo ela, o capitão reformado da Aeronáutica sempre se mostrou violento e comprou a arma recentemente. Ele também teria ameaçado o pai da criança, em outra visita, no último dia 8 de novembro. "Ele (Luís Eduardo) desceu porque a criança estava chorando e avançou para cima do T. (companheiro dela, identidade preservada). E o T. tentou contornar a situação, falou para ele se acalmar. Mas ele disse que não queria saber de conversa. Já veio com agressões. Não chegaram a ser físicas pois falei para o T. para irmos embora, pois eu vi que ele ia fazer besteira. E ele disse: 'Você quer guerra e é guerra que você vai ter. Quem ri por último, ri melhor. Escreve o que eu estou te dizendo'".

A mulher diz que está com medo: "Porque se ele sair, se for liberado? Quem me garante que ele não vem pegar minha família também? Eu espero muito que ele fique durante muito tempo (preso). Ele é uma pessoa violenta. Eu acredito que as pessoas podem se recuperar, mas a forma como ele age, ele não é uma pessoa que quer ser recuperado. Fico com medo do que pode acontecer".

O capitão Luís Eduardo Ferreira de Melo matou a tiros Fernando Carlos Pinto, em uma discussão em um condomínio no bairro José Bonifácio, em Fortaleza, na manhã do último domingo (22). E ainda baleou a esposa e o filho da vítima. O militar foi levado ao 34º DP (Centro), da Polícia Civil, e autuado em flagrante.

Processo judicial por guarda da criança

O TJCE confirmou que pai e mãe da criança discutem a guarda do filho, em um processo judicial que tramita na 16ª Vara de Família. "O processo tem tido regular tramitação e nele já ocorreram duas audiências de conciliação. Atualmente as partes vinham cumprindo acordo provisório alcançado na Vara, em que se faculta ao pai do menor visitar nos finais de semana o filho no salão de festa do prédio em que reside a mãe", informa o Órgão.

Na nota, o Tribunal também nega que houvesse medida protetiva a favor do pai da criança e contra o avô materno.

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